Ronco está associado a sono profundo? O mito que esconde riscos à saúde

A crença de que o ruído alto indica um descanso pesado esconde um sufoco noturno, onde o corpo faz um esforço extremo para conseguir oxigênio; a otorrinolaringologista Dra. Loyane Brozon alerta que o barulho é sinal de obstrução severa e microdespertares.

Por Bendita Letra
4 Min

Dra. Loyane Bronzon — Médica Otorrinolaringologista | Especialista em ronco, apneia do sono e otorrinolaringologia infantil

 

Quem nunca ouviu alguém dizer, em tom de brincadeira, que fulano dorme tão profundamente que chega a tremer as paredes com o ronco? Essa ideia, que passou de geração em geração, acabou transformando um barulho incômodo em sinônimo de descanso merecido. Mas a verdade que os hospitais e consultórios mostram é bem diferente, o ruído noturno não tem nada de relaxante. Ele é, na verdade, o primeiro sinal de que o corpo está travando uma batalha exaustiva nos bastidores para conseguir o básico para sobreviver: o oxigênio.

Para entender o que acontece, basta olhar para a nossa anatomia. Quando dormimos, a musculatura da garganta relaxa. Em quem ronca, esse relaxamento é excessivo, estreitando a passagem do ar. O barulho nada mais é do que o ar espremido, forçando a estrutura a vibrar. Longe de ser um indicativo de paz, o ronco é o corpo trabalhando em dobro e em regime de urgência, justamente no momento em que deveria estar poupando energia e se recuperando do cansaço do dia.

"Existe um entendimento cultural muito errado de que quem ronca alto está em sono profundo. Na verdade, essa pessoa está sofrendo um sufoco noturno", esclarece a médica otorrinolaringologista Loyane Bronzon. A especialista em distúrbios do sono explica que o cérebro precisa fragmentar o descanso para que o indivíduo não sufoque. "Para abrir a passagem do ar e salvar o corpo da falta de oxigênio, acontecem os microdespertares. São despertares tão rápidos que o paciente nem lembra no dia seguinte, mas que impedem o corpo de atingir as fases mais profundas e restauradoras do sono".

O grande perigo é quando esse sufoco deixa de ser apenas um estreitamento e se torna um bloqueio total da respiração por alguns segundos, o que a medicina chama de apneia obstrutiva do sono. Essa pane repetida na oxigenação é um verdadeiro teste de estresse para o coração. A queda do oxigênio no sangue eleva a pressão arterial e acelera os batimentos cardíacos, criando o cenário perfeito a longo prazo para infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e problemas metabólicos como a diabetes.

A conta desse esforço todo chega logo na manhã seguinte. Quem ronca costuma acordar com a sensação de que não dormiu nada, além de enfrentar dores de cabeça matinais, irritabilidade e aquela névoa mental que prejudica o foco no trabalho. Nas crianças, o reflexo é um pouco diferente e costuma ser confundido com mau comportamento: elas tendem a ficar hiperativas, com déficit de atenção e podem ter o crescimento e o desenvolvimento da face prejudicados pela respiração errada.

"O ronco nunca deve ser normalizado ou tratado apenas como uma piada de família ou um incômodo para quem dorme ao lado. Ele é um sintoma clínico que exige investigação", alerta a médica. Segundo ela, o diagnóstico feito na hora certa, com exames simples como a polissonografia, permite traçar tratamentos que vão muito além de devolver o silêncio ao quarto: eles devolvem a saúde, a disposição e os anos de vida que o paciente estava perdendo enquanto achava que dormia bem.
 

Saiba mais sobre o trabalho da Dra. Loyane Bronzon: https://acesse.one/wkibdmw
Fonte: Dra. Loyane Bronzon — Médica Otorrinolaringologista | Especialista em ronco, apneia do sono e otorrinolaringologia infantil
 

 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
imprensa@benditaletra.com.br