Eles dividem a mesma casa, a mesma rotina e, muitas vezes, décadas de história. Mas já não compartilham sonhos, interesses ou conversas significativas. O fenômeno tem se tornado cada vez mais comum entre casais maduros que permanecem juntos formalmente, mas vivem uma profunda desconexão emocional. A rotina, as responsabilidades familiares e as demandas profissionais acabam ocupando tanto espaço que o relacionamento passa a funcionar apenas de forma prática e automática.
O cenário preocupa especialistas porque a solidão dentro do casamento costuma ser silenciosa. Segundo dados da pesquisa "Retratos da Sociedade Brasileira", da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a família é apontada pelos brasileiros como um dos principais fatores de felicidade e realização pessoal. No entanto, a convivência diária não garante proximidade emocional. Quando as interações passam a se limitar à administração da casa, dos filhos e das contas, a relação perde gradualmente seu caráter afetivo.
Para a terapeuta sistêmica Roselaine Toledo, especialista em Direito de Família, muitos casais só percebem o distanciamento quando já não conseguem reconhecer o parceiro como alguém emocionalmente próximo. “Existe uma diferença entre morar junto e compartilhar a vida. Muitos casais continuam funcionando como uma equipe para resolver questões práticas, mas deixam de investir na relação como casal. Com o tempo, a sensação é de estar vivendo ao lado de um estranho”, explica.
Segundo a especialista, esse processo costuma acontecer de forma lenta, especialmente durante períodos de intensa dedicação à criação dos filhos, crescimento profissional ou cuidados com familiares. Quando o casal deixa de cultivar momentos de troca, lazer e diálogo, a relação passa a ser sustentada apenas pelas obrigações do cotidiano. “A conexão não desaparece de um dia para o outro. Ela se perde aos poucos, quando o relacionamento deixa de ser uma prioridade e passa a existir apenas para cumprir funções”, afirma.
Na visão sistêmica, o distanciamento afetivo também pode estar relacionado a padrões familiares aprendidos ao longo da vida. Pessoas que cresceram em ambientes onde o amor era demonstrado por responsabilidade e não por afeto podem reproduzir essa dinâmica nos próprios relacionamentos. Por isso, identificar os sinais da desconexão e buscar novas formas de construir intimidade emocional é fundamental para evitar que o casamento se transforme apenas em uma parceria doméstica.
Saiba mais sobre o trabalho da Dra. Rose Toledo: @roselaine.toledo
Fonte: Dra. Roselaine Toledo — Terapeuta Sistêmica | Especialista em Direito de Família
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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