Copa do Mundo: barulho e mudança de rotina exigem atenção com crianças autistas

Estratégias específicas e suporte familiar trazem conforto para os dias de jogos

Por FABIANA HONORATO
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Imagem de autoria de Fabiana Honorato

Com a movimentação intensa em torno dos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, marcada por comemorações, fogos de artifício e aumento significativo de barulho nas cidades, especialistas fazem um alerta importante: o período pode representar um desafio para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias. 

Durante as partidas, é comum que ruas, condomínios e até ambientes familiares se tornem mais agitados. Para crianças autistas, especialmente aquelas com hipersensibilidade sensorial, esse excesso de estímulos pode provocar desconforto, ansiedade e crises. 

De acordo com a psicóloga Beatriz Paixão, gerente clínica regional do Instituto ALMAI, o planejamento prévio é fundamental para reduzir impactos durante os jogos. 

“No período da Copa, há uma quebra na rotina e um aumento de estímulos, como fogos, buzinas, som alto, além da suspensão de aulas. Por isso, é fundamental preparar a criança com antecedência”, explica ela. 

Uma boa estratégia é utilizar um calendário visual, explicando de forma clara o que vai acontecer e antecipando possíveis mudanças. Segundo Beatriz, é importante construir, junto com a criança, estratégias de enfrentamento para lidar com esse contexto, ajudando a reduzir o estresse e promover mais segurança. 

Ambiente 

Entre as principais recomendações está a criação de um ambiente seguro, onde a criança possa se sentir confortável caso precise se afastar. Espaços mais silenciosos, com objetos familiares e possibilidade de autorregulação, ajudam a evitar a sobrecarga sensorial. 

“É importante que os responsáveis estejam atentos aos sinais que a criança dá antes de uma crise, como irritabilidade, tentativa de se isolar ou sensibilidade a sons. Intervir nesse momento, oferecendo uma pausa ou retirando do ambiente, pode evitar um agravamento do quadro”, orienta a terapeuta ocupacional Karina Rodrigues Matavelli Rosa, que também integra a equipe multidisciplinar do ALMAI. 

O uso de recursos como abafadores de som, brinquedos sensoriais e atividades reguladoras também pode contribuir para tornar a experiência mais tranquila. Além disso, manter a rotina, especialmente horários de alimentação e sono, é um fator protetor importante nesse período. 

Na crise 

Karina salienta que durante uma possível crise, o foco não deve ser corrigir comportamentos ou exigir comunicação. O mais importante é garantir segurança, diminuir os estímulos ambientais e oferecer estratégias que já sejam reconhecidas pela criança como reguladoras. “Após a reorganização sensorial e emocional, ela estará mais disponível para retornar às atividades e interações”, orienta a terapeuta. 

O Instituto ALMAI reforça que não é necessário excluir a criança das vivências sociais, mas sim adaptá-las. Com suporte adequado e estratégias individualizadas, é possível que as famílias participem dos momentos da Copa com mais segurança e bem-estar. 

Dicas para as famílias 

Rotina visual - Monte um calendário com as datas dos jogos e marque de forma visual o que vai acontecer em cada dia. Inclua mudanças na rotina. Isso ajuda a criança a prever o que vai acontecer e reduz a ansiedade. 

Assiste e pausa - Combine antes: um pouco do jogo e depois uma pausa. Isso ajuda a criança a se sentir mais segura. 

Durante o jogo - Tenha um brinquedo, um lanche preferido ou algo simples que ela goste muito. Isso ajuda a tornar o momento mais agradável. 

Barulho - Explique, por exemplo: “vai ter grito se fizer gol”. Isso evita susto. Se o som incomodar, use fones abafadores ou diminua o volume da TV. 

Ambiente - A presença de um adulto ajuda a criança a se sentir mais segura e entender o que está acontecendo. 

Pequenas pausas - Às vezes, só sair um pouco da sala, respirar ou ir para um cantinho mais calmo já ajuda. 

Observe sinais - Se a criança começar a ficar agitada, tapar os ouvidos ou se incomodar, é hora de ajustar ou fazer pausa. Pare antes da crise. 

Se a criança não estiver confortável para continuar, tenha opções já conhecidas e tranquilas, como: 

  • Assistir a um desenho ou vídeo preferido 
  • Brincar com brinquedos de interesse dela 
  • Montar quebra-cabeças simples 
  • Desenhar ou pintar 
  • Brincar com massinha ou atividades sensoriais 
  • Ouvir música calma ou sons que ajudam a relaxar 
  • Ficar em um cantinho mais silencioso com objetos de conforto 

Com pequenas adaptações, previsibilidade e respeito ao tempo da criança, é possível que ela participe dos momentos da Copa de um jeito mais leve e seguro 

Sobre o Instituto ALMAI 

O Instituto ALMAI, localizado em Santos, Litoral de SP, é referência no atendimento multidisciplinar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), oferecendo acompanhamento individualizado com base em evidências científicas. A instituição reúne profissionais de diferentes áreas para promover o desenvolvimento integral e a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias.  Para mais informações: https://www.instagram.com/institutoalmai/
 


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