Junho Vermelho alerta que mitos sobre doação de sangue afastam pessoas que poderiam salvar vidas

Com apenas 1,8% da população doando sangue regularmente, país ainda enfrenta desafios para ampliar a cultura da doação voluntária

Por JOãO PEDRO
4 Min

Junho Vermelho alerta que mitos sobre doação de sangue afastam pessoas que poderiam salvar vidas
Banco de imagem Envato
A doação de sangue é um procedimento seguro, rápido e capaz de salvar vidas, mas ainda assim é cercada por mitos e desinformação, que afastam potenciais voluntários no Brasil. O resultado é que apenas de 1,4% a 1,8% da população brasileira doa sangue regularmente, segundo dados do Ministério da Saúde de 2024. A baixa adesão é preocupante porque a demanda por transfusões é constante nos serviços de saúde. Em média, cerca de 5.500 bolsas de sangue são necessárias diariamente no país para atender a pacientes em diferentes situações, como emergências, cirurgias, tratamentos contínuos e complicações clínicas.

No Rio de Janeiro, foi registrada uma queda de 42% na coleta de bancos de sangue na primeira semana de 2026, segundo dados do Hemorio, principal hemocentro do estado. Para atender adequadamente à demanda da rede de saúde, a instituição necessita de aproximadamente 300 doações diárias. Em maio de 2026, o Hemorio continuava responsável pelo abastecimento de mais de 200 hospitais públicos fluminenses.


Entre os principais obstáculos para a ampliação das doações estão crenças equivocadas sobre o procedimento, como a ideia de que doar sangue enfraquece o organismo ou oferece riscos à saúde.

Segundo a coordenadora de Enfermagem da Afya Unigranrio Barra da Tijuca, Dra. Viviane Quintas, a desinformação ainda é uma das principais barreiras para o aumento do número de doadores no país.

“A doação de sangue é um procedimento seguro, realizado com materiais estéreis e descartáveis, sem risco de transmissão de doenças. O organismo se recupera rapidamente após a doação, e uma única bolsa pode ajudar mais de um paciente, já que o sangue é separado em diferentes componentes”, explica.

Além do impacto direto no atendimento aos pacientes, a doação de sangue também envolve benefícios indiretos ao doador. Antes da coleta, é realizada uma triagem clínica que avalia as condições gerais de saúde, o que pode ajudar na identificação de possíveis alterações que necessitam de acompanhamento médico.

Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 quilos e estar alimentado. Pessoas com sintomas gripais, febre ou que tenham realizado procedimentos como tatuagens recentemente devem respeitar o período de inaptidão estabelecido pelos hemocentros.

A especialista reforça a importância da doação regular, já que a necessidade de sangue é contínua e não depende de situações pontuais.

“Muitas pessoas acreditam que doar sangue só é necessário em casos de emergência envolvendo familiares ou conhecidos, mas os estoques precisam ser mantidos diariamente para garantir atendimento a qualquer paciente que precise”, afirma.

A campanha Junho Vermelho reforça a conscientização sobre a importância da doação voluntária de sangue e busca incentivar novas adesões, ampliando a cultura de solidariedade e ajudando a reduzir os impactos da baixa frequência no país.
 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
JOãO PEDRO URBANO DOS SANTOS
[email protected]


Notícias Relacionadas »