Com a chegada do inverno, é comum que muitas pessoas diminuam o consumo de água sem sequer perceber. As temperaturas mais baixas reduzem a sensação de sede e a perda de líquidos pela transpiração, levando a uma falsa impressão de que o organismo precisa de menos hidratação. No entanto, esse comportamento pode trazer consequências importantes para a saúde dos rins, especialmente para pessoas com fatores de risco ou doenças renais pré-existentes.
Os rins dependem de uma hidratação adequada para manter seu funcionamento normal. Quando a ingestão de líquidos diminui, o volume de sangue circulante também reduz, impactando diretamente a capacidade de filtração renal. Segundo o Dr. Renato Barbosa, chefe do Serviço de Urologia do Hospital São José, essa condição pode provocar sobrecarga nas estruturas responsáveis pela filtragem do organismo. “A redução da filtração renal pode ser danosa aos rins, determinando agressão aos néfrons”, explica o especialista.
Um dos primeiros sinais de que o corpo pode estar recebendo menos líquidos do que necessita é a diminuição da quantidade de urina produzida ao longo do dia e o escurecimento da cor da urina. Embora muitas vezes passe despercebida, essa alteração indica que os rins estão trabalhando com menor disponibilidade de água para eliminar resíduos e toxinas.
Além dos impactos sobre a função renal, a baixa ingestão hídrica também aumenta o risco de formação de cálculos renais, um problema que afeta milhões de brasileiros. Com menos água disponível, a urina torna-se mais concentrada, favorecendo a precipitação dos cristais que dão origem às pedras nos rins. “Os cristais responsáveis pela formação dos cálculos renais precipitam em maior quantidade e isso favorece a união desses cristais e a formação do cálculo”, destaca o médico.
A atenção deve ser ainda maior entre pessoas que convivem com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial e doença renal crônica. Nesses casos, os rins podem apresentar algum grau de comprometimento funcional, mesmo sem sintomas evidentes. A desidratação, ainda que moderada, pode agravar esse quadro e acelerar a perda da função renal. “Com a desidratação, esse déficit de funcionamento renal aumenta e, então, pode ter início um quadro de insuficiência renal”, alerta o Dr. Renato.
Para evitar complicações, a recomendação é manter a hidratação como um hábito planejado, sem depender exclusivamente da sensação de sede. Criar uma rotina para ingerir líquidos ao longo do dia pode ser uma estratégia simples e eficaz para preservar a saúde dos rins durante os meses mais frios. “É importante manter um padrão de hidratação por via oral, de forma programada, realizando a ingestão de líquidos em momentos pré-determinados do dia”, orienta o especialista.
A adoção desse cuidado ajuda não apenas a proteger a função renal, mas também a prevenir problemas que podem comprometer significativamente a qualidade de vida. Afinal, como reforça o médico do Hospital São José, mesmo quando o frio reduz a vontade de beber água, os rins continuam precisando dela para desempenhar uma das funções mais importantes do organismo: a filtragem do sangue.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
BERNARDO DE QUADROS BRUNO
[email protected]