Lipoaspiração de repetição: as restrições técnicas do procedimento

A realização sucessiva de aspirações na mesma região corporal eleva a formação de tecidos cicatriciais internos, exigindo critérios rígidos de proteção vascular e limites cirúrgicos.

Por Bendita Letra
4 Min

Lipoaspiração de repetição: as restrições técnicas do procedimento
Dra. Maíra Amábile —  Médica | Cirurgiã Plástica | Especialista em Contorno Corporal 
 

Lipoaspiração de repetição: as restrições técnicas do procedimento

A realização sucessiva de aspirações na mesma região corporal eleva a formação de tecidos cicatriciais internos, exigindo critérios rígidos de proteção vascular e limites cirúrgicos.

Quem decide passar por uma lipoaspiração geralmente busca aquele toque final no contorno do corpo. Mas o que acontece quando o resultado não sai como o esperado ou o corpo muda com o tempo, e o paciente resolve voltar à mesa de cirurgia? O mercado tem visto uma onda de pessoas buscando uma segunda, ou até terceira, intervenção na mesma área, um cenário que acende um alerta importante nos consultórios: o corpo humano tem limites anatômicos claros, e ignorá-los é um risco alto.

O grande vilão de uma reoperação atende pelo nome de fibrose. Quando a cânula passa pela primeira vez, o organismo reage criando um tecido de cicatrização interno que é, por natureza, rígido e denso. Na segunda tentativa, o cirurgião não encontra mais aquela gordura maleável e fácil de aspirar, mas sim um terreno endurecido e modificado.

"Operar uma área que já foi mexida é como tentar esculpir em uma rocha que já tem suas próprias rachaduras e texturas. Os planos anatômicos mudam, ficam borrados por essa cicatrização de dentro para fora. O médico precisa de uma sensibilidade tática enorme para entender onde pode ir e onde deve parar", explica a médica Maíra Amábile, especialista em contorno corporal.

O maior perigo envolvido nesse processo não é apenas o cansaço físico do profissional para romper essa barreira, mas sim a segurança vascular do paciente. A primeira cirurgia já altera a rede de vasos sanguíneos e linfáticos que alimentam a pele daquela região. Insistir em uma raspagem profunda em um tecido já fragilizado pode cortar o suprimento de sangue, gerando complicações graves e sofrimento da pele.

"Nossa prioridade em uma lipo de repetição nunca pode ser a vaidade extrema. O foco principal é a preservação dos vasos que nutrem a pele. Se cruzarmos essa linha atrás de um resultado milagroso, o preço cobrado pelo corpo pode ser alto demais", alerta a cirurgiã plástica. Ela pontua que, embora tecnologias modernas de ultrassom ajudem a derreter a gordura no meio da fibrose, o limite real ainda é ditado pelo bom senso.

Por isso, antes de encarar o centro cirúrgico novamente, o paciente precisa entender que o jogo mudou. Uma reoperação não serve para buscar a perfeição que faltou na primeira, mas sim para um refinamento cuidadoso, onde tirar menos gordura com mais segurança costuma ser o melhor caminho para evitar sequelas estéticas e de saúde.

Saiba mais sobre o trabalho da Dra. Maíra Amábile: @dra.mairaamabile

Fonte: Dra. Maíra Amábile —  Médica | Cirurgiã Plástica | Especialista em Contorno Corporal 


 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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