O coração do torcedor não é de ferro: casos de infarto aumentam de até 16% durante partidas do Brasil
Especialista explica quem precisa redobrar a atenção e quais sinais exigem atendimento imediato
PorJOãO PEDRO•
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A cada jogo decisivo da Seleção Brasileira, milhões de torcedores experimentam uma montanha-russa de emoções que vai da ansiedade antes do apito inicial ao alívio ou frustração após o resultado. O que pouca gente sabe é que esse envolvimento emocional também provoca alterações reais no organismo. Partidas de grande tensão podem aumentar o número de eventos cardiovasculares, especialmente entre pessoas que já apresentam fatores de risco.
Levantamento da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que os casos de infarto podem aumentar até 16% durante jogos da Seleção Brasileira, enquanto pesquisas internacionais também identificaram crescimento nas emergências cardíacas em grandes competições esportivas. Durante a Copa do Mundo de 2006, por exemplo, um estudo publicado no The New England Journal of Medicine verificou que o número de atendimentos por problemas cardiovasculares entre torcedores alemães foi 2,66 vezes maior nos dias de partidas da seleção do país.
Segundo o cardiologista e coordenador da pós-graduação em Cardiologia da Afya Educação Médica do Rio de Janeiro, Dr. Tiago Costa Bignoto, a emoção do futebol desencadeia uma resposta fisiológica semelhante à observada em situações de estresse intenso. "Quando o torcedor acompanha um jogo de grande importância, o organismo libera adrenalina e outros hormônios que aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial e fazem o coração trabalhar mais. Para pessoas saudáveis, essa resposta costuma ser passageira. Já para quem possui doença cardiovascular ou fatores de risco, ela pode funcionar como um gatilho para eventos graves", explica.
Quem corre mais risco Embora qualquer pessoa possa sentir palpitações durante uma partida emocionante, alguns grupos exigem atenção especial. Idosos, pacientes com hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, obesidade, histórico de infarto, insuficiência cardíaca, arritmias e fumantes apresentam maior probabilidade de desenvolver complicações quando submetidos a picos intensos de estresse emocional.
Além das doenças já conhecidas, hábitos comuns durante transmissões esportivas também podem potencializar os riscos. "O problema não é torcer. O risco aparece quando a emoção intensa se soma a fatores como pressão alta descontrolada, tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada ou doenças cardiovasculares já existentes. É essa combinação que pode favorecer infartos, arritmias e crises hipertensivas", afirma o especialista da Afya.
Sinais que exigem atenção imediata Sentir o coração acelerar durante uma partida decisiva é uma reação normal do organismo. No entanto, alguns sintomas não devem ser confundidos apenas com nervosismo e exigem atendimento médico imediato.
1. Dor no peito persistente Quando dura mais de alguns minutos ou surge acompanhada de sensação de aperto, pressão ou queimação, pode indicar um infarto.
2. Falta de ar intensa Dificuldade para respirar, principalmente quando aparece de forma súbita ou vem acompanhada de dor no peito, merece avaliação urgente.
3. Suor frio e mal-estar Sudorese intensa, pele fria, náuseas e sensação de fraqueza podem ser sinais de um evento cardiovascular.
4. Tontura ou desmaio Quedas de pressão, perda de consciência ou sensação de desmaio durante ou após o jogo nunca devem ser ignoradas.
5. Palpitações persistentes Batimentos muito acelerados ou irregulares que não melhoram após alguns minutos podem indicar arritmias.
6. Dor irradiada Desconforto que se espalha para braços, ombros, costas, mandíbula ou pescoço também é um dos sinais clássicos do infarto.
Assistir a um jogo decisivo não precisa ser motivo de preocupação para a maioria das pessoas, mas quem possui fatores de risco cardiovasculares deve adotar alguns cuidados. A recomendação é manter doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado sob controle, seguir corretamente o tratamento e não interromper o uso dos medicamentos, evitar excessos de álcool, cigarro e bebidas energéticas, optar por refeições mais leves antes da partida, buscar estratégias para controlar a ansiedade como técnicas de respiração e, principalmente, conhecer os sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato.
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