Cine Matilha celebra um ano da Autoral Filmes com Retrospectiva

Sala paulistana exibirá dez longas da distribuidora que se destaca no circuito de arte com sucessos premiados

Por Isidoro B. Guggiana
11 Min

Cine Matilha celebra um ano da Autoral Filmes com Retrospectiva
Léa Drucker em "Caso 137", de Dominik Moll - crédito: Autoral Filmes
Para comemorar o primeiro ano da Autoral Filmes, o Cine Matilha exibirá dez longa da distribuidora em sessões gratuitas de quarta (08) a sábado (11).

Fundada por Felipe Didoné e Marize Didoné, a Autoral Filmes nasceu a partir do Paradigma Cine Arte, em Florianópolis (SC), e prima pelo lançamento de longas independentes e de arte de marca autoral.


Nessa retrospectiva serão exibidos os longas "Caso 137", "Living the Land", "Olhe o Mar", "Mother´s Baby", "Picasso - um Rebelde em Paris", "Eu que te amei", "Munch: amor, fantasmas e vampiras"; "Maldito Modigliani", "A prisioneira de Boudeaux", "Andy Wharol – Um sonho americano".

Vencedor do prêmio de direção no Festival de Berlim do ano passado, o Urso de Prata, "Living the land", de Meng Huo, acompanha as transformações num pequeno vilarejo na China, no começo dos anos de 1990, pelo olhar de um menino de dez anos.

"A prisioneira de Boudeaux" é protagonizado por Isabelle Huppert e Hafsia Herzi, e dirigido por uma das maiores cineastas francesas da atualidade, Patricia Mazuy. As atrizes interpretam duas mulheres de classes sociais distintas que se conhecem, por acaso, na sala de espera para visitar seus maridos num presídio. A partir desse encontro, nasce uma relação doentia.

Exibido em competição no Festival de Cannes, "Caso 137" traz Léa Drucker numa atuação marcante como uma policial da corregedoria de Paris investigando um caso de abuso que a leva a caminhos inesperados.

Em "Eu que te amei", Roschdy Zem e Marina Foïs dão vida às estrelas Yves Montand e Marina Foïs, que viveram um caso de amor conturbado. Já "Mother´s Baby", exibido em competição no Festival de Berlim, acompanha Julia (Marie Leuenberger), uma maestrina que, finalmente, engravida depois de um tratamento, mas, depois do parto, passa a questionar se aquela criança é sua. E "Olhe o Mar" é protagonizado por um adolescente diagnosticado com uma condição que o deixará cego em pouco tempo. Antes que isso aconteça, porém, seus pais o levam a uma viagem para a praia, uma de suas grandes paixões.

Além das ficções, a Autoral Filmes também se destaca pelo lançamento de documentários sobre artistas que revelam a delicada relação entre suas trajetórias e suas obras: Picasso um rebelde em Paris, Munch: amor, fantasmas e vampiras, Maldito Modigliani e Andy Wharol – Um sonho americano.

Sobre os filmes:
"Living the Land", 135'
Em 1991, enquanto a China passa por profundas mudanças socioeconômicas que levam muitos a deixar suas aldeias rurais em busca de trabalho nas cidades, Chuang, de 10 anos, o terceiro filho de sua família, precisa permanecer na aldeia devido a planos familiares. Em um cenário de modernização, à medida que o advento da tecnologia remodela seu estilo de vida tradicional, os ciclos de nascimentos, mortes, casamentos e funerais revelam o peso duradouro da tradição e as pressões de equilibrar as responsabilidades familiares num mundo em rápida transformação.

"A prisioneira de Boudeaux", 108'
Uma das diretoras francesas mais renomadas da atualidade, Patricia Mazuy aborda o encontro entre duas mulheres de classes sociais diferentes, mas que se conhecem ao visitar os maridos na prisão, em A Prisioneira de Bordeaux, exibido na Quinzena dos Realizadores, em Cannes de 2024, e que estreia no Brasil em agosto, com distribuição da Autoral Filmes. Isabelle Huppert interpreta Alma Lund, uma mulher de classe alta que vive sozinha desde a prisão do marido. Num dia de visita, conhece Mina Hirti (Hafsia Herzi), uma jovem mãe que foi visita o companheiro, mas, por questões burocráticas, não poderá o ver, e deve voltar no dia seguinte. Ela mora longe, são 3h de viagem, e Alma simpatiza com ela, e lhe oferece estadia em sua casa na cidade. Começa aí uma amizade improvável, que toma contornos inesperados, num filme que discute classe e raça na França contemporânea, sem deixar de lado a posição da mulher dentro de uma sociedade patriarcal e preconceituosa.

"Caso 137", 116'
Novo longa de Dominik Moll, Caso 137 acompanha uma investigação a cargo da detetive Stéphanie, uma investigadora do departamento de assuntos internos da polícia nacional francesa, isto é, a polícia da polícia. O caso envolve um incidente com um jovem rapaz severamente machucado durante um protesto em Paris que, inesperadamente, toma um rumo muito pessoal para Stéphanie. Esse elemento surpresa perturba a agente e transforma o caso 137 em algo mais importante do que se previa.

"Eu que te amei", 118'
Ela o amava mais do que tudo, ele a amava mais do que a todas as outras. Simone Signoret e Yves Montand formavam o casal mais célebre de seu tempo. Assombrada pelo caso de seu marido com Marilyn Monroe e ferida por todos os que vieram depois, Signoret sempre recusou o papel de vítima. O que ambos sabiam é que jamais se separariam.

"Mother´s Baby", 98'
Julia, uma maestrina de sucesso de 40 anos, e seu parceiro Georg anseiam por um filho quando o Dr. Vilfort lhes oferece uma esperança. Julia engravida após um tratamento bem-sucedido na clínica de fertilidade do médico. O parto não ocorre como planejado e o bebê é imediatamente retirado de seus braços, deixando Julia sem saber o que aconteceu. Quando finalmente se reencontra com a criança, Julia sente-se estranhamente distante. Ela começa a duvidar se é realmente seu filho.

"Olhe o mar", 91'
Desde o divórcio, Chris e Antoine parecem não conseguir concordar em nada, exceto no amor pelo filho de quinze anos, Milo, cujo mundo gira em torno do surfe e de sua paixão de verão, Nina. Prestes a ir passar férias na casa de praia do avô, Milo recebe o diagnóstico de um problema de visão que pode levá-lo à cegueira em breve. Diante da incerteza, Chris e Antoine deixam de lado antigas mágoas para se reconectarem, admirarem o oceano e criarem memórias para Milo guardar para sempre.

"Picasso, um rebelde em Paris" 90'
Anarquista, Estrangeiro, Revolucionário - Uma nova interpretação do artista mais incrível do século XX. Este documentário investiga a natureza contraditória do personagem de Picasso, explorando sua generosidade e despotismo, luz e sombra, muitas vezes ocultos por trás da máscara. O filme aborda o debate: é possível separar o artista do homem? Explora a dupla natureza do personagem de Picasso em Paris naquela época, uma cidade repleta de contradições, tolerância e xenofobia. O documentário revela aspectos pouco conhecidos do pintor, incluindo seu status de "estrangeiro" em Paris, seu papel como anarquista entre anarquistas em Montmartre e seu olhar "queer" sobre sua própria obra. Acompanhado por leituras de cartas do Museu Picasso e de vários livros, o filme apresenta entrevistas com críticos de arte, curadores, intelectuais e artistas.

"Munch: amor, fantasmas e vampiras", 90'
O documentário "Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras" apresenta uma nova perspectiva sobre Edvard Munch, artista célebre por O Grito mas ainda pouco conhecido em sua amplitude. A partir da inauguração do Museu MUNCH em Oslo, que abriga mais de 28 mil obras deixadas pelo pintor, o filme explora sua trajetória e sua profunda relação com o tempo, tema central de sua arte. Munch, que dizia “não pinto o que vejo, mas o que vi”, revisitava constantemente suas imagens, transformando-as em pontes entre passado e presente, vida e mundo espiritual. O documentário é também uma viagem pela Noruega de Munch, em busca das origens e da essência desse artista visionário.

"Maldito Modigliani", 90'
Em celebração ao centenário da morte de Amedeo Modigliani (1884–1920), o documentário revisita a vida e a obra do artista que se tornou um dos nomes mais amados e imitados da arte moderna. Narrado sob o ponto de vista de Jeanne Hébuterne, sua companheira e musa, o filme percorre as obras presentes na Albertina (Viena), no Museu da Cidade de Livorno, na National Gallery of Art (Washington) e em grandes coleções de Paris, revelando o homem por trás da lenda — e o artista que transformou a dor em beleza eterna.

"Andy Wharol – Um sonho americano", 100'
Este documentário mergulha na persona misteriosa de Andy Warhol e nos fortes laços familiares que o moldaram, revelando facetas ocultas de sua vida e das forças criativas que o inspiraram. Através de entrevistas francas e materiais raros de arquivo, o público é conduzido em uma jornada desde a herança eslovaca de Warhol até seus anos inovadores na cidade de Nova York. Com imagens inéditas e novas revelações, o filme oferece uma nova perspectiva sobre a natureza introspectiva de Warhol e o impacto duradouro que ele teve na arte e na cultura.

Mais informações sobre os filmes em https://www.autoralfilmes.com.br

Programação
09 de julho (quinta-feira)
15h Maldito Modigliani
16h30 Munch: amor, fantasmas e vampiras
18h30 Picasso um rebelde em Paris

10 de julho (sexta-feira)
17h Andy Wharol – Um sonho americano
19h A prisioneira de Boudeaux

11 de julho (sábado)
15h Eu que te amei
17h Living the land
19h30 Olhe o Mar

12 de julho (domingo)
16h Mother's Baby
18h Caso 137

Cine Matilha
Rego Freitas, 542 - 3º andar
República, São Paulo

Sobre o Cine Matilha
O Cine Matilha é um ambiente pet-friendly e acolhe regularmente o público junto com seus animais de estimação. Com capacidade para 68 espectadores, incluindo 2 lugares para cadeirantes, proporcionando uma experiência cinematográfica inclusiva.
A programação continua sendo gratuita, mediante a doação de 1 quilo de alimento não perecível, roupas, brinquedos, livros e produtos de higiene pessoal para crianças e adultos.

Sobre a Matilha Cultural
Com 17 anos de atuação, a Matilha Cultural é entidade independente e sem fins lucrativos, conhecida por sua diversidade de público e de programação, destacando produções nacionais e independentes pautadas pelo melhor da produção cinematográfica mundial. Além de exibições regulares, a sala também exibe mostras, festivais, pré-estreias, e eventos de formação de público. Sediada em um edifício de três andares no coração de São Paulo, o espaço abriga um espaço de exposições, uma sala multiuso, um bar e um cinema com 68 lugares.

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ISIDORO BECKER GUGGIANA
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FONTE: Patrícia Rabello
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