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Receber um diagnóstico de câncer já é, por si só, um momento de grande impacto emocional. Quando isso acontece com pessoas jovens, uma preocupação adicional costuma surgir: será que ainda será possível ter filhos no futuro? Com os avanços da medicina reprodutiva, essa pergunta passou a ter novas possibilidades de resposta. A área conhecida como oncofertilidade reúne estratégias que permitem preservar a fertilidade de pacientes que irão iniciar tratamentos contra o câncer, como quimioterapia ou radioterapia, terapias que podem afetar diretamente a capacidade reprodutiva. Segundo um estudo da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, cerca de 60% das mulheres com câncer em idade fértil que recebem indicação conseguem preservar a fertilidade no Brasil. O tema foi discutido em entrevista com o especialista em reprodução assistida Dr. Alessandro Schuffner. A importância de discutir a fertilidade desde o diagnóstico De acordo com o especialista, o diagnóstico de câncer em pacientes jovens exige uma abordagem multidisciplinar. Oncologistas, especialistas em reprodução humana, psicólogos e equipes de enfermagem trabalham juntos para orientar o paciente sobre todas as possibilidades. Nesse momento delicado, o foco principal é o tratamento do câncer. No entanto, discutir a preservação da fertilidade pode evitar frustrações futuras. “É fundamental que essa conversa aconteça antes do início do tratamento. Alguns medicamentos e terapias podem comprometer a produção de óvulos ou espermatozoides, o que pode levar à infertilidade”, explica o médico. Por isso, sempre que possível, a preservação do material genético deve ser avaliada antes do início das terapias oncológicas. Como o tratamento do câncer pode afetar a fertilidade Os impactos do tratamento variam de acordo com o tipo de câncer, os medicamentos utilizados, o tempo de tratamento e as características individuais de cada paciente. Algumas terapias podem afetar diretamente os ovários ou os testículos, reduzindo ou interrompendo a produção de células reprodutivas. Em outros casos, o próprio câncer pode comprometer essa função antes mesmo do início do tratamento. Diante desse cenário, a avaliação com um especialista em reprodução humana ajuda a estimar o risco de infertilidade e a definir as melhores estratégias de preservação. Congelamento de óvulos e espermatozoides A forma mais comum de preservar a fertilidade é o congelamento de gametas — óvulos nas mulheres e espermatozoides nos homens. No caso masculino, o processo costuma ser relativamente simples. A coleta do sêmen é feita em laboratório e o material é armazenado em bancos especializados para uso futuro em tratamentos de reprodução assistida. Já para as mulheres, o procedimento é mais complexo. É necessário realizar uma estimulação ovariana para estimular a produção de múltiplos óvulos, que depois são coletados e congelados. Esse processo pode levar cerca de duas semanas e permite que os óvulos sejam preservados para utilização após o tratamento oncológico. Alternativas quando há parceiro Em algumas situações, quando o paciente já possui parceiro ou parceira, também é possível realizar a fertilização em laboratório antes do tratamento e congelar os embriões. Essa estratégia pode aumentar as chances de gravidez futura, já que os embriões formados ficam armazenados até que o casal esteja pronto para tentar a gestação. Nem sempre há tempo mas a avaliação é essencial Nem todos os casos permitem realizar procedimentos de preservação da fertilidade. Alguns tipos de câncer exigem início imediato do tratamento ou apresentam características hormonais que impedem a estimulação ovariana. Mesmo assim, especialistas destacam que a avaliação deve sempre ser discutida. Em determinadas situações, novas estratégias podem ser consideradas, e cada caso precisa ser analisado individualmente. Gravidez após o tratamento Uma dúvida comum entre pacientes é se será possível engravidar após vencer o câncer. Na maioria das vezes, sim. Após um período considerado seguro pelo oncologista — conhecido como tempo livre de doença — muitas mulheres podem tentar engravidar utilizando os óvulos congelados ou até mesmo de forma natural, dependendo do caso. Existem, porém, situações específicas em que a gestação precisa ser adiada ou realizada com auxílio de útero de substituição, especialmente quando houve retirada do útero ou contraindicação médica para gravidez. Informação e planejamento fazem diferença Para especialistas, o principal recado para pacientes jovens diagnosticados com câncer é buscar informação o quanto antes. Discutir a fertilidade antes do início do tratamento amplia as possibilidades e permite que decisões importantes sejam tomadas com mais tranquilidade e planejamento. Os avanços da medicina reprodutiva têm permitido que cada vez mais pacientes, mesmo após enfrentar o câncer, consigam realizar o sonho de formar uma família no futuro. Dr. Alessandro Schuffner é ginecologista e especialista em reprodução assistida é mestre em Medicina Interna e formado internacionalmente no renomado Jones Institute (EUA). Diretor da Conceber, destaca-se em laparoscopia e em estudos sobre a qualidade funcional dos espermatozoides, sendo referência nacional em medicina reprodutiva. Com mais de duas décadas de atuação, une ciência, experiência clínica e pesquisa avançada. Fonte: Dr. Alessandro Schuffner | @dralessandroschuffner. 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Salatiel Medeiros de Araújo
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