Dia Nacional do Livro: brasileiros leem menos e especialista alerta para impactos no cérebro

Por SALATIEL ARAúJO
4 Min

Dia Nacional do Livro: brasileiros leem menos e especialista alerta para impactos no cérebro
Imagem Ilustrativa
No dia 18 de abril, o Brasil celebra o Dia Nacional do Livro. A data reforça a importância da leitura, mas também acende um alerta: os brasileiros estão lendo cada vez menos, enquanto passam mais tempo diante das telas — um comportamento que pode afetar diretamente o funcionamento do cérebro.

Dados de pesquisas nacionais, como o levantamento “Retratos da Leitura no Brasil”, mostram que menos da metade da população pode ser considerada leitora ativa. Ao mesmo tempo, o tempo médio diário em frente a celulares, computadores e tablets cresce de forma significativa, ultrapassando várias horas por dia, principalmente entre os mais jovens.


Esse cenário reflete uma mudança no consumo de informação. Aplicativos, vídeos curtos e ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, tornaram o acesso ao conteúdo mais rápido e prático — porém mais fragmentado e superficial.

Efeitos no cérebro
Segundo o neurocirurgião Dr. Luiz Severo, a leitura de livros exige um processo cognitivo complexo, que envolve atenção sustentada, memória de trabalho, interpretação e imaginação. Esse conjunto ativa diferentes áreas cerebrais e fortalece conexões neurais ao longo do tempo.

Por outro lado, o consumo contínuo de conteúdos rápidos — como reels, notificações e vídeos curtos — favorece um padrão de atenção dispersa. Estudos em neurociência associam esse comportamento a:
 
  • Redução da capacidade de concentração prolongada;
  • Prejuízos na memória e no aprendizado profundo;
  • Aumento da ansiedade e da impulsividade;
  • Estímulo constante a recompensas imediatas.

Leitura e proteção cognitiva
A literatura científica também aponta que manter o hábito da leitura ao longo da vida pode trazer benefícios importantes para a saúde cerebral.

Entre eles:
 
  • Maior reserva cognitiva;
  • Menor risco de declínio cognitivo;
  • Redução das chances de demências, como a Doença de Alzheimer;
  • Melhor desempenho em funções executivas, como planejamento e tomada de decisão.

Na prática, especialistas indicam que a leitura funciona como uma espécie de “proteção” para o cérebro, especialmente ao longo do envelhecimento.

Um treino invisível
Diferente do consumo passivo de telas, o livro exige participação ativa. Ao ler, o cérebro desacelera, constrói imagens mentais, interpreta emoções e conecta ideias — um exercício completo para diferentes áreas cognitivas.

A ausência desse estímulo pode levar a um empobrecimento cognitivo progressivo, principalmente em fases importantes como a infância e a terceira idade.

Tecnologia: equilíbrio é essencial
Apesar dos impactos, especialistas ressaltam que a tecnologia não deve ser vista como inimiga. Ferramentas digitais, incluindo o ChatGPT, podem ampliar o acesso ao conhecimento.

O desafio, no entanto, está no equilíbrio: evitar que o consumo rápido substitua completamente práticas que exigem mais profundidade, como a leitura de livros.

Um alerta no Dia Nacional do Livro
Em um cenário de hiperconexão, abrir um livro pode parecer um gesto simples — mas tem impacto direto na forma como o cérebro funciona.

Neste Dia Nacional do Livro, o alerta é claro: ler menos não afeta apenas o hábito cultural, mas pode comprometer a memória, a concentração e a capacidade de pensar com profundidade ao longo da vida.
Fonte
Dr. Luiz Severo é doutor em Neurocirurgia, professor, escritor e palestrante. Membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e integrante da Jovem Liderança Médica da Academia Nacional de Medicina, destaca-se pela atuação na formação médica e na disseminação do conhecimento científico no Brasil.
Instagram: drluizsevero.neurocirurgia.dor
 

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Salatiel Medeiros de Araújo
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