Imagem Ilustrativa
No dia 18 de abril, o Brasil celebra o Dia Nacional do Livro. A data reforça a importância da leitura, mas também acende um alerta: os brasileiros estão lendo cada vez menos, enquanto passam mais tempo diante das telas — um comportamento que pode afetar diretamente o funcionamento do cérebro. Dados de pesquisas nacionais, como o levantamento “Retratos da Leitura no Brasil”, mostram que menos da metade da população pode ser considerada leitora ativa. Ao mesmo tempo, o tempo médio diário em frente a celulares, computadores e tablets cresce de forma significativa, ultrapassando várias horas por dia, principalmente entre os mais jovens. Esse cenário reflete uma mudança no consumo de informação. Aplicativos, vídeos curtos e ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, tornaram o acesso ao conteúdo mais rápido e prático — porém mais fragmentado e superficial. Efeitos no cérebro Segundo o neurocirurgião Dr. Luiz Severo, a leitura de livros exige um processo cognitivo complexo, que envolve atenção sustentada, memória de trabalho, interpretação e imaginação. Esse conjunto ativa diferentes áreas cerebrais e fortalece conexões neurais ao longo do tempo. Por outro lado, o consumo contínuo de conteúdos rápidos — como reels, notificações e vídeos curtos — favorece um padrão de atenção dispersa. Estudos em neurociência associam esse comportamento a: - Redução da capacidade de concentração prolongada;
- Prejuízos na memória e no aprendizado profundo;
- Aumento da ansiedade e da impulsividade;
- Estímulo constante a recompensas imediatas.
Leitura e proteção cognitiva A literatura científica também aponta que manter o hábito da leitura ao longo da vida pode trazer benefícios importantes para a saúde cerebral. Entre eles: - Maior reserva cognitiva;
- Menor risco de declínio cognitivo;
- Redução das chances de demências, como a Doença de Alzheimer;
- Melhor desempenho em funções executivas, como planejamento e tomada de decisão.
Na prática, especialistas indicam que a leitura funciona como uma espécie de “proteção” para o cérebro, especialmente ao longo do envelhecimento. Um treino invisível Diferente do consumo passivo de telas, o livro exige participação ativa. Ao ler, o cérebro desacelera, constrói imagens mentais, interpreta emoções e conecta ideias — um exercício completo para diferentes áreas cognitivas. A ausência desse estímulo pode levar a um empobrecimento cognitivo progressivo, principalmente em fases importantes como a infância e a terceira idade. Tecnologia: equilíbrio é essencial Apesar dos impactos, especialistas ressaltam que a tecnologia não deve ser vista como inimiga. Ferramentas digitais, incluindo o ChatGPT, podem ampliar o acesso ao conhecimento. O desafio, no entanto, está no equilíbrio: evitar que o consumo rápido substitua completamente práticas que exigem mais profundidade, como a leitura de livros. Um alerta no Dia Nacional do Livro Em um cenário de hiperconexão, abrir um livro pode parecer um gesto simples — mas tem impacto direto na forma como o cérebro funciona. Neste Dia Nacional do Livro, o alerta é claro: ler menos não afeta apenas o hábito cultural, mas pode comprometer a memória, a concentração e a capacidade de pensar com profundidade ao longo da vida. Fonte Dr. Luiz Severo é doutor em Neurocirurgia, professor, escritor e palestrante. Membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e integrante da Jovem Liderança Médica da Academia Nacional de Medicina, destaca-se pela atuação na formação médica e na disseminação do conhecimento científico no Brasil. Instagram: drluizsevero.neurocirurgia.dor Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
Salatiel Medeiros de Araújo
[email protected]