Abril Azul no Dojô: Por que mães atípicas estão buscando o Krav Maga para fortalecer a autodefesa e o emocional dos filhos?

No mês de conscientização sobre o autismo, saiba como a arte macial israelense de defesa pessoal ajuda crianças neuro divergentes a desenvolverem coordenação motora, consciência espacial e segurança emocional para enfrentar desafios sociais e escolares.

Por Bendita Letra
4 Min

Abril Azul no Dojô: Por que mães atípicas estão buscando o Krav Maga para fortalecer a autodefesa e o
Roberta Santos
 

O mês de conscientização sobre o autismo coloca em evidência terapias e atividades que auxiliam na autonomia de pessoas neuro divergentes, e a defesa pessoal israelense tem ganhado um espaço surpreendente nesse cenário. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que uma em cada 160 crianças no mundo possui o Transtorno do Espectro Autista (TEA), demandando práticas que trabalhem não apenas o físico, mas também a previsibilidade e a segurança emocional. No tatame, o método focado em movimentos precisos oferece ferramentas práticas para que esses jovens superem barreiras de coordenação e interação social com confiança.

A busca por essa modalidade parte, muitas vezes, de mães atípicas que desejam fortalecer a autoestima dos filhos diante de desafios como o bullying escolar e a hipersensibilidade sensorial. Roberta Santos, Instrutora Sênior da Bukan School of Krav-Maga, explica que a arte macial não é vista como um esporte de competição, mas como um caminho de autoconhecimento. Segundo a especialista, o treinamento ajuda a organizar o caos interno que muitos alunos sentem ao lidar com o mundo exterior, transformando o medo em prontidão e equilíbrio.

"O Krav Maga trabalha com a realidade e com o limite de cada um, o que é fundamental para quem lida com o autismo. No dojô, a criança aprende a reconhecer o próprio corpo no espaço, algo que reflete diretamente na redução da ansiedade e na melhoria da postura diante da vida", afirma a empresária. Ela destaca que o ensino é orientado para respeitar o tempo de processamento de cada aluno, garantindo que o aprendizado da defesa pessoal seja um processo acolhedor e nunca invasivo.

Além dos benefícios motores, a arte macial israelense foca na gestão de conflitos, ensinando o praticante a identificar situações de risco antes mesmo que elas se tornem agressões físicas. Para as famílias, ver um filho conquistar a faixa ou dominar um movimento complexo representa uma vitória na comunicação e na socialização. "Muitas mães chegam até nós em busca de proteção para os filhos, mas o que elas encontram é um fortalecimento emocional que muda a dinâmica de toda a família, trazendo uma paz que antes parecia inalcançável", diz.

O ambiente controlado das aulas permite que os alunos pratiquem o foco e a repetição, elementos que geram conforto e segurança para quem vive no espectro. Ao simular situações do cotidiano, a arte marcial prepara o jovem para reagir com clareza em momentos de estresse, minimizando crises e potencializando a autonomia. A instrutora observa que a evolução é visível no brilho do olhar de cada criança ao perceber que é capaz de se defender e de ocupar o seu lugar na sociedade com dignidade.

 

"Nossa missão neste Abril Azul é mostrar que o Krav Maga é para todos e que a neurodiversidade é uma característica, não um impedimento para a segurança pessoal. No final das contas, o que entregamos é a liberdade para que esses meninos e meninas possam circular pelo mundo sem o peso constante da vulnerabilidade", conclui a especialista da Bukan School. Com essa abordagem, o dojô se transforma em um porto seguro onde a técnica milenar serve como ponte para a inclusão e o respeito mútuo.

 

Fonte: Roberta Santos | Empresária e Instrutora Sênior de Krav-Maga da Bukan School of Krav-Maga, a arte marcial israelense para defesa pessoal.


 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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