"Em Um Piscar de Olhos" acaba de superar a marca de 200 mil atendimentos entre estudantes da rede pública de ensino. Fundada em 2021, a metodologia já passou por mais de 700 escolas em mais de 10 estados brasileiros. O público-alvo da iniciativa são alunos da rede pública de ensino, desde bebês a partir dos 6 meses de idade até adolescentes.
Segundo os dados de atendimento, 42.410 alunos (20,82%) foram encaminhados para consultas especializadas após a detecção de alterações visuais que comprometem o aprendizado e que podem levar à cegueira. Entre as condições oculares mais frequentes destacam-se o astigmatismo, com 25.777 casos detectados (12,89%) , e a miopia, que registrou 15.236 ocorrências (7,62%).
Ainda de acordo com a coordenação do projeto, um dos focos centrais da iniciativa é a detecção da anisometropia, 6.063 casos (3,03%), a maior responsável pela perda de visão em crianças e que afeta cerca de 3% da população mundial.
Nessa condição há uma diferença significativa de grau entre os olhos. Quando não tratada precocemente, o cérebro passa a ignorar as imagens do olho com maior erro de refração, levando ao que popularmente chamamos de olho preguiçoso.
Confira os principais erros de refração e problemas oculares identificados pelo “Em Um Piscar de Olhos” entre estudantes da rede pública até então:
Como tudo começou
A história da metodologia começou a ser escrita em 2019, durante uma viagem aos Estados Unidos, na qual o administrador Leonardo Figueiredo teve contato com um auto refrator portátil, que utilizava uma tecnologia de classificação rápida, sem necessidade da dilatação da pupila e com 90% de assertividade.
"O aparelho realiza a triagem refracional em seis segundos. Ao estudarmos os problemas oftalmológicos nas crianças do mundo e principalmente no Brasil, sabíamos que precisávamos criar uma forma para tornar os diagnósticos mais acessíveis", explica Figueiredo.
A grande virada ocorreu em 2020 com o aprimoramento da ideia. O nome, Em Um Piscar de Olhos, faz referência a velocidade do procedimento. Por meio de uma equipe multidisciplinar, que conta com um time de oftalmologistas, a iniciativa atua em um modelo de colaboração que une o setor público, como Secretarias de Educação e Saúde, e a iniciativa privada.
Além do atendimento, a atuação gera dados estatísticos via Sistema Integrado da Saúde Oftalmológica (SISO), auxiliando municípios na formulação de políticas públicas assertivas e em conformidade com a LGPD.
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PALOMA STEFFEN STUCHI
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