Muito além das calorias: como a alimentação impacta diretamente a saúde mental

Por RENNIê PARO
5 Min

Muito além das calorias: como a alimentação impacta diretamente a saúde mental
Divulgação

*Por Paola Rampinelli

Durante muito tempo, a alimentação foi associada quase exclusivamente à saúde física, ou seja, tínhamos que focar no controle de peso, prevenção de doenças cardiovasculares e manutenção do metabolismo. No entanto, a ciência avança e com ela, também alguns diagnósticos.

É muito interessante notarmos que a Neurociência e a Psiquiatria Nutricional vêm ampliando essa visão e têm mostrado que aquilo que colocamos no prato também exerce influência direta sobre o funcionamento do cérebro e, consequentemente, sobre a saúde mental.

Hoje, já é possível afirmar com respaldo científico que dieta, comportamento alimentar e estilo de vida estão profundamente conectados a quadros como ansiedade, depressão e até declínio cognitivo. Para se ter uma ideia, nosso país figura no topo de um ranking nada legal. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 9,3% da população brasileira sofre de ansiedade, superando a média mundial. Somos, portanto, o país mais ansioso do mundo.

Nesse cenário, é cada vez maior estudos que confiram o eixo intestino-cérebro como uma conexão decisiva e de alto impacto no sistema nervoso central. Isso acontece porque o intestino abriga trilhões de microrganismos que compõem a microbiota intestinal, responsável por produzir substâncias essenciais para o organismo, incluindo neurotransmissores como a serotonina, frequentemente chamada de “hormônio do bem-estar”. Estima-se que cerca de 90% da serotonina do corpo seja produzida no intestino.

Portanto, quando há desequilíbrio nessa microbiota podem surgir impactos não apenas digestivos, mas também emocionais, como alterações de humor, irritabilidade e maior vulnerabilidade ao estresse. É aqui que entramos com a nutrição!

Uma alimentação equilibrada fornece nutrientes fundamentais para o bom funcionamento cerebral. Vitaminas do complexo B, ômega-3, magnésio, zinco e aminoácidos são essenciais para a síntese de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, como serotonina, dopamina e GABA.

Por outro lado, dietas ricas em ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras de baixa qualidade têm sido associadas ao aumento de processos inflamatórios no organismo, fator que também impacta negativamente o cérebro e está relacionado a transtornos mentais.

É cada vez mais importante que as pessoas entendam que não é apenas o “o quê” se come, mas também “como” se come. Infelizmente, com rotinas cada vez mais cheias de compromissos, comer com pressa, em frente a telas ou sob estresse constante são comuns e podem comprometer a digestão e a absorção de nutrientes, além de afetar a relação com a comida, que muitas vezes acaba sendo completamente distorcida.

Em minhas consultas costumo indicar práticas simples, mas que podem ajudar muito, como colocar a atenção plena durante as refeições (também conhecido como mindful eating). Pequenas mudanças, como está, têm sido associadas à melhora da percepção de saciedade, redução da compulsão alimentar e maior equilíbrio emocional.

Além disso, manter uma rotina alimentar regular contribui para a estabilidade dos níveis de glicose no sangue, evitando picos e quedas bruscas que podem influenciar diretamente o humor e os níveis de energia ao longo do dia.

Sei que muitas pessoas podem acreditar que tais mudanças são difíceis, mas promover benefícios para a saúde mental por meio da alimentação não exige nada muito radical. Ajustes consistentes e sustentáveis já são capazes de gerar impacto positivo à longo prazo.

 

Você pode, por exemplo:

  • Priorizar alimentos in natura e minimamente processados
     
  • Incluir fontes de fibras, que alimentam a microbiota intestinal
     
  • Consumir gorduras boas, como as presentes em peixes, sementes e oleaginosas
     
  • Reduzir o consumo de açúcar e ultraprocessados
     
  • Manter horários regulares para as refeições
     

Por fim, reforço que cuidar da saúde mental é algo importante e urgente e exige uma abordagem multifatorial, que inclui acompanhamento profissional, prática de atividade física, qualidade do sono e, cada vez mais, atenção à alimentação. Portanto, se ame mais, se cuide mais e verá uma verdadeira transformação em sua vida, em todos os aspectos.

*Paola Rampinelli é CEO e fundadora do Instituto Rampinelli, que atua baseado na aplicação da nutrição com foco em alimentação natural, saúde metabólica e qualidade de vida. Seu trabalho busca mostrar que escolhas alimentares simples e conscientes podem ter grande impacto na saúde e no bem-estar.


 

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Renniê Paro
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