Como uma batida de música, o coração humano segue um ritmo natural e constante, movido a impulsos elétricos minuciosamente sincronizados. Se essa rede de energia, que provoca a contração e o relaxamento do órgão, sofre algum tipo de interferência, os batimentos podem perder sair do compasso. Na música, quando o ritmo fica descompassado por só alguns segundos, os instrumentos se perdem e toda a canção perde a base. No coração, esse descompassamento também pode ser fatal. É o que a medicina chama de arritmia cardíaca.
“Arritmia cardíaca é um termo genérico e amplo que engloba distúrbios de ritmo do coração. Podem levar o coração a bater devagar, rápido ou de forma descompassada. Seus sinais de alerta são palpitações, desmaios e mal-estar. No entanto, a arritmia pode ser assintomática, logo, consultas cardiológicas são fundamentais para identificar desordens”, explica o Dr. Rafael Boechat, arritmologista do Hospital São José.
Portanto, a arritmia não é uma doença única, mas um guarda-chuva para diversas condições que também podem ter origens variadas. Segundo o cardiologista especializado em arritmologia, o diagnóstico pode apontar para uma causa congênita, quando a pessoa já nasce com a predisposição, idiopática, quando não há uma justificativa conhecida, ou adquirida ao longo da vida, geralmente associada ao estilo de vida e envelhecimento.
Os principais fatores que aumentam o risco de desenvolver as arritmias incluem:
Nem toda arritmia exige cirurgia, mas há casos em que o coração perde a capacidade de manter um ritmo seguro por conta própria. É nessas situações que o marcapasso se torna um grande aliado. Segundo o Dr. Rafael Boechat, o marcapasso funciona “como uma “bateria” posicionada, na maioria das vezes, acima do músculo peitoral.
O aparelho faz a estimulação do coração por meio de cabos ligados ao órgão, com o objetivo de promover seu funcionamento elétrico normal. “O marcapasso é indicado em situações que o coração apresenta algum tipo de bloqueio na condução elétrica nativa, tendendo a ter redução da frequência cardíaca. Nesses casos, o marcapasso atua substituindo a condução elétrica cardíaca que, por algum motivo, o coração deixou de fazer”, completa o médico.
Receber o implante de um marcapasso exige adaptações, mas não impede o paciente de ter uma vida ativa. Os cuidados dividem-se entre o período de cicatrização e o convívio em longo prazo.
“Cuidados imediatos após o implante em geral se relacionam com o cuidado com a ferida operatória, redução da atividade física com o braço do mesmo lado do implante do marcapasso e cautela a traumas na região do implante. Mais tarde, a preocupação do paciente deve ser de acompanhamento regular com médico arritmologista, sempre portar a carteirinha do marcapasso, ter atenção a realização de cirurgias e ressonâncias, já que o dispositivo tem que ser programado, e evitar pegar peso excessivo no braço do mesmo lado do marcapasso”, conclui o médico do Hospital São José.
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BERNARDO DE QUADROS BRUNO
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