Jovens de Florianópolis precisam mudar hábitos para não repetirem estatística de perda dentária dos avós

Especialista alerta que trocar a ‘cultura da dor’ pela prevenção semestral evita cirurgias complexas e de alto custo

Por ROBERTA VIEIRA
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Jovens de Florianópolis precisam mudar hábitos para não repetirem estatística de perda dentária dos avós
Divulgação/FreepiK

A saúde bucal em Florianópolis apresenta um contraste geracional que serve de alerta: enquanto 66,45% das crianças de 12 anos e 56,57% dos jovens entre 15 e 19 anos estão livres de cáries, a realidade no outro extremo da vida é dura, com 57,07% dos idosos dependendo de algum tipo de prótese dentária. As informações foram extraídas do último levantamento do Ministério da Saúde sobre a saúde bucal dos brasileiros. Para garantir que a nova geração não repita o histórico familiar de perdas dentárias, a mudança de comportamento precisa ser imediata.

A cirurgiã-dentista Juliana Velloso Veronez, especialista em Prótese e credenciada da Unimed Odonto, atua na linha de frente desse desafio com um objetivo claro: evitar que os pacientes cheguem ao ponto de precisar da sua especialidade. Segundo ela, a odontologia preventiva é um investimento financeiro inteligente, pois impede que problemas simples e baratos se transformem em reabilitações complexas e onerosas.

"A ausência de dor não significa saúde. A cultura de só procurar o dentista na emergência é o que leva à perda do dente. Quem adia a consulta acaba trocando um tratamento simples e acessível, como curar uma gengivite inicial, por reabilitações futuras caríssimas, que exigem cirurgias, implantes e enxertos", crava a especialista.

Sintomas frequentemente ignorados pelos jovens, como sangramento na gengiva, gosto ruim na boca, acúmulo de placa bacteriana e mau hálito, são alertas que exigem intervenção profissional. Para garantir o engajamento, a Dra. Juliana chega a enviar lembretes personalizados para o celular dos pacientes com orientações práticas de higiene.

Em um estado conhecido por valorizar a longevidade e a qualidade de vida, a especialista defende que o check-up odontológico semestral seja encarado com a mesma seriedade que a ida à academia ou a alimentação saudável.

"O catarinense tem uma forte cultura de bem-estar, e a prevenção odontológica precisa entrar nessa rotina. A boca não é um sistema isolado. Uma infecção ali compromete mastigação, nutrição e o equilíbrio de todo o organismo. Cuidar dos dentes é, literalmente, cuidar do corpo inteiro", alerta Juliana.

Para romper com a estatística, é essencial também derrubar mitos perigosos que prejudicam a rotina em casa, como a crença de que escovar os dentes com força limpa melhor ou de que o flúor faz mal.

O cuidado contínuo se estende também a quem já possui reabilitações. A dificuldade repentina para mastigar alimentos ou a percepção de que a dentadura está solta ou "dançando" na boca são indícios de reabsorção óssea, exigindo manutenção para não comprometer a saúde e a estabilidade da prótese.

"O check-up semestral não é apenas um cuidado médico, é uma ferramenta de economia a longo prazo. É o único caminho para garantir que a longevidade venha acompanhada da função mastigatória e de um sorriso natural por toda a vida", conclui.


 

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ROBERTA BASTOS VIEIRA
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