São Paulo, maio de 2026 - O Brasil consolidou-se como o 7º maior consumidor de medicamentos do mundo¹ e enfrenta um desafio relevante de saúde pública: mais de 90% da população admite se automedicar². Esse hábito é responsável por cerca de 20 mil mortes anuais no país² e está associado a um aumento de 18% nas internações por intoxicação³. Nos últimos anos, o perfil desses casos também mudou: o uso equivocado de ansiolíticos, antidepressivos e a mistura de fármacos com produtos naturais passaram a figurar com mais frequência nas emergências, ao lado dos tradicionais analgésicos.
Parte desse movimento é impulsionada pela chamada 'tiktokização' da saúde, fenômeno em que algoritmos e influenciadores digitais passam a ocupar o espaço do diagnóstico técnico, promovendo o uso de medicamentos e suplementos sem prescrição ou base científica. Para a Dra. Cláudia Ketter, psiquiatra e professora da Afya Educação Médica São Paulo, esse comportamento é sustentado por mecanismos psicológicos específicos, como o efeito de 'verdade ilusória' das redes sociais, em que a repetição de conteúdos gera uma falsa sensação de veracidade.
"As falsas relações com influenciadores criam um vínculo de confiança não recíproco, porém psicologicamente potente, oferecendo respostas imediatistas e simplificadas que são mais reforçadoras do que abordagens médicas que exigem tempo e investigação", explica a especialista.
Uma pesquisa recente conduzida pela Afya, maior ecossistema de educação e soluções para prática médica do país, em parceria com a healthtech Conexa, aponta que cerca de 49% dos pacientes já recorrem a ferramentas de inteligência artificial para tratar de questões relacionadas à saúde⁴, dado que ilustra como as pessoas buscam respostas cada vez mais fora do consultório.
A automedicação, no entanto, carrega riscos que vão além do efeito imediato de um remédio mal indicado. Sem acompanhamento profissional, quadros clínicos podem ser mascarados, interações medicamentosas ignoradas e tratamentos iniciados sem diagnóstico adequado. "Há evidências culturais de baixa tolerância ao sofrimento e maior busca por alívio imediato que é reforçada pela tecnologia digital que oferece uma gratificação instantânea, muito dopaminérgica", observa a Dra. Cláudia.
Diante desse cenário, a especialista defende uma abordagem mais criteriosa e humanizada no cuidado em saúde, com ênfase na escuta qualificada e no acompanhamento contínuo. "As experiências da vivência cotidiana humana como a tristeza, raiva, luto, frustração, ansiedade e reatividade situacional estão sendo patologizadas. Precisamos fortalecer a relação médico-paciente e reforçar que o medicamento é uma ferramenta, não uma solução universal para a vida", conclui.
Referências:
¹ Abifarma (Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas): Dados sobre consumo global, óbitos e o cenário da automedicação no Brasil. Detalhes em: Link
² ICTQ (Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico): Pesquisa sobre o comportamento de automedicação da população brasileira. Detalhes em: ictq.com.br/pesquisa-automedicacao
³ SINITOX / Sindusfarma: Estatísticas sobre internações e intoxicações medicamentosas no Brasil. Detalhes em: sindusfarma.org.br/noticias/dados-setoriais
⁴ Pesquisa Afya e Conexa (Panorama Pacientes): Levantamento sobre como os pacientes utilizam tecnologias e IA para autodiagnóstico. Detalhes em: conexasaude.com.br/hub/panorama-do-uso-de-ia-em-saude
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.
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ANA BEATRIZ DE OLIVEIRA BARRETO
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