Excelência em dentes sem cárie na juventude esconde alerta para doenças gengivais na fase adulta

Prevenção de cáries na infância não impede avanço de doenças gengivais graves e riscos sistêmicos na fase adulta

Por LARISSA BORGES
3 Min

Excelência em dentes sem cárie na juventude esconde alerta para doenças gengivais na fase adulta
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Apesar de liderar o ranking nacional de dentes sem cárie, Santa Catarina apresenta um dado que acende um sinal de alerta: o estado supera a média brasileira em casos de doenças gengivais graves. A contradição, evidenciada pelos dados do estudo Saúde Bucal 2023, do Ministério da Saúde, reforça um ponto ainda pouco compreendido pela população: a saúde bucal vai muito além de não ter cáries.

Os números mostram uma clara ruptura nos cuidados ao longo da vida. Em Florianópolis, os índices de excelência entre os adolescentes chamam a atenção: 66,45% dos jovens aos 12 anos e 56,57% na faixa dos 15 aos 19 anos estão livres de cáries. No entanto, ao chegarem à fase adulta (35 a 44 anos), o cenário muda drasticamente. Apenas 12,74% permanecem livres de cárie e a condição da gengiva despenca: 44,64% desses adultos apresentam sangramento gengival, e 54,16% possuem tártaro, resultado de uma higienização ineficiente.

Segundo o periodontista Jean Phelipe Will, credenciado da Unimed Odonto, o cenário revela um equívoco comum. “A população desconhece os riscos, e confundem não ter cárie com saúde. Muitas doenças gengivais evoluem de forma silenciosa e as pessoas ignoram sinais de alerta, como sangramento e gosto ruim na boca, que indicam que algo não vai bem”, explica o especialista.

A doença periodontal afeta os tecidos de suporte dos dentes e pode evoluir para dor, mobilidade e perda precoce dos dentes. No entanto, as consequências mais graves são sistêmicas, tornando o cuidado com a gengiva uma verdadeira medida de prevenção cardiovascular. “Os micro-organismos presentes na cavidade oral podem se deslocar pela corrente sanguínea e atingir o coração ou demais órgãos”, alerta o Dr. Jean, destacando ainda que a ausência de saúde bucal tem hoje ligação direta com doenças neurológicas.

Para combater o medo que costuma afastar os pacientes dos consultórios, o especialista reforça que buscar ajuda precocemente é o melhor caminho. Todo tratamento odontológico causa um certo pavor. É preciso orientar o paciente sobre a necessidade de cuidados básicos, que fazem toda a diferença.

Existem várias técnicas anestésicas que farão com que o tratamento seja mais efetivo e rápido. A odontologia preventiva, por exemplo, gera muito menos desconforto ao paciente. Além disso, com o avanço das tecnologias, os tratamentos ficaram mais fáceis e confortáveis, muitas vezes sendo resolvidos em uma única sessão.
 

 


 

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LARA BORGES AZEVEDO
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