No dia do silêncio (07/05) vale a pena pensar em como lidamos com o silenciar no nosso dia a dia. A sociedade marcada pela hiperconectividade, excesso de informação e pressão constante por produtividade, está se esquecendo de ficar em silêncio e especialistas alertam para um fenômeno cada vez mais comum: a dificuldade das pessoas de lidar com o silêncio e com momentos de pausa. A ausência desses espaços de reflexão pode contribuir diretamente para quadros de ansiedade, irritabilidade, esgotamento emocional e adoecimento psíquico.
Segundo levantamento global da Ipsos, o Brasil está entre os países mais estressados do mundo, com 42% da população afirmando sofrer com altos níveis de estresse, enquanto 54% dos brasileiros apontam a saúde mental como uma das principais preocupações de saúde do país. (Relatório Global World Mental Health Day 2024)
Outro dado alarmante envolve o burnout. Informações da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt 2023) apontam que entre 30% e 32% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a síndrome do esgotamento profissional, colocando o Brasil entre os países com maior incidência da condição no mundo.
A psicanalista e professora da Uninter, Ana Lizete, explica que a psicanálise entende o silêncio como algo fundamental para a saúde mental. Ela comenta que:
“Hoje, as pessoas vivem conectadas o tempo inteiro e quase não encontram espaço para pausa, reflexão ou elaboração dos próprios sentimentos. Isso contribui para o aumento da ansiedade, da irritabilidade, do esgotamento emocional e da dificuldade de escutar a si mesmo.
Na clínica psicanalítica, o silêncio não é visto como vazio ou ausência de comunicação. Pelo contrário: ele faz parte do processo de escuta e elaboração psíquica. Muitas vezes, é no silêncio que a pessoa consegue entrar em contato com questões que ficam encobertas pela correria do cotidiano.
A dificuldade de lidar com o silêncio também revela muito sobre a sociedade contemporânea, marcada pela necessidade constante de produtividade, distração e respostas imediatas. Falar sobre a importância do silêncio é, portanto, falar sobre saúde mental, qualidade de vida, relações humanas e os impactos que o excesso de ruído: externo e interno provoca no nosso psiquismo”, disse a especialista.
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VALQUIRIA CRISTINA DA SILVA
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