A atualização da Norma Regulamentadora NR-1 marca uma mudança definitiva na forma como as empresas brasileiras precisam lidar com cultura organizacional, gestão de riscos, além de saúde mental e abertura de espaço para uma agenda de saúde social nas organizações, que se baseiam na qualidade das relações, senso de pertencimento e existência de apoio consistentes. A partir da nova diretriz, fatores como sobrecarga emocional, pressão excessiva, isolamento, conflitos, assédio, relações fragilizadas e ausência de apoio passam a integrar formalmente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, exigindo processos estruturados de identificação, monitoramento e mitigação.
Entre os principais pontos de atenção para as empresas, destacam-se:
Para Natália Lazarini, cofundadora da Philos Community, a principal transformação está na mudança de mentalidade das empresas. “A principal mudança da NR-1 é mostrar que saúde mental não pode mais ser tratada apenas como benefício ou ação pontual de RH. A empresa precisa mapear as causas organizacionais do risco, e isso passa por criar mecanismos contínuos de escuta, troca e leitura cultural. Comunidades cumprem esse papel ao transformar percepção coletiva em inteligência preventiva”, afirma Natália.
A Philos Community, empresa especializada em cultura organizacional, gestão e marketing de comunidades, a nova NR-1 consolida um movimento que já vinha ganhando força dentro das organizações: saúde mental deixou de ser um tema periférico e passou a fazer parte da agenda de compliance, sustentabilidade, retenção de talentos e performance. Gestão formal de riscos, causas organizacionais, escuta contínua, liderança como foco e comunidades como infraestrutura de prevenção e performance são pilares sobre o tema.
Segundo a executiva, um dos principais desafios das empresas está em sair do discurso e estruturar práticas contínuas, humanas e mensuráveis. Isso inclui olhar não apenas para sintomas de adoecimento, mas para a raiz estrutural do problema: metas abusivas, jornadas excessivas, falhas de comunicação, modelos de liderança, baixa autonomia e fragilidade do senso de pertencimento.
A ciência já comprova que métodos baseados em escuta coletiva e suporte social são eficazes na identificação de riscos psicossociais. Em paralelo, dados de um estudo da Flora Insights mostram que mais de 60% desses riscos têm origem na gestão e na organização do trabalho, exigindo leitura qualitativa da cultura e das relações cotidianas. Ainda assim, a maturidade das empresas brasileiras nesse campo segue baixa.
Isso reforça a importância de tratar a escuta contínua como ferramenta estratégica de conformidade e prevenção. Pesquisas de clima, rodas de conversa, canais seguros e, principalmente, comunidades internas estruturadas passam a ter papel central para captar sinais precoces de isolamento, sobrecarga, enfraquecimento de vínculos e falta de apoio antes que o problema escale.
Dados da Deloitte reforçam esse cenário ao mostrar que 94% dos executivos reconhecem cultura e pertencimento como fatores críticos para o sucesso, embora apenas 12% considerem que suas organizações tenham uma cultura realmente fortalecida. O gap entre consciência e execução evidencia a necessidade de estruturas permanentes capazes de transformar pertencimento em prática cotidiana.
Na visão de Vitor Igdal, cofundador da Philos, a norma inaugura uma nova forma de olhar para o trabalho. “A NR-1 traz uma mudança clara, saúde mental não é apenas um tema clínico, é um tema estrutural. Ela nasce da qualidade das relações. A própria ONU já reconhece, desde 2023, a saúde social como essencial para a saúde mental e física. Quando existe confiança, colaboração e pertencimento, o risco de adoecimento diminui e a performance aumenta. Comunidades deixam de ser uma iniciativa de engajamento e passam a ser uma infraestrutura de saúde organizacional”, destaca Igdal.
Sobre a Philos Comunity
A Philos é uma community house especializada no desenvolvimento de cultura organizacional e na criação e gestão estratégica de comunidades corporativas. A empresa apoia organizações na construção de redes de relacionamento capazes de fortalecer marcas, gerar engajamento e impulsionar negócios. Com metodologia própria, atua na estruturação, aceleração e gestão de comunidades que conectam empresas, colaboradores, clientes e parceiros. A companhia foi fundada por Natália Lazarini e Vitor Igdal, empreendedores ligados ao ecossistema da Confraria do Empreendedor. Seu trabalho combina estratégia, dados e conexões para transformar comunidades em ativos de valor para as organizações.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
GHABRIELLA COSTERMANI MACHADO
[email protected]