Avanço do câncer na América Latina transforma a gestão de saúde e redefine a sustentabilidade dos benefícios corporativos

Por CLAUDIA ROZEMBRA
5 Min

Avanço do câncer na América Latina transforma a gestão de saúde e redefine a sustentabilidade dos benefícios
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São Paulo, maio de 2026 – O avanço do câncer na América Latina deixou de ser uma discussão restrita à saúde pública e passou a impactar diretamente a estrutura de custos das empresas. Dados do Observatório Global do Câncer (GLOBOCAN) indicam que, em 2022, a região registrou cerca de 1,5 milhão de novos casos e aproximadamente 700 mil mortes, o equivalente a 7,6% da incidência global.

A tendência é de crescimento, impulsionada pelo envelhecimento da população e por mudanças no perfil epidemiológico. Segundo análise da Lockton, conduzida pelo time de People Solutions & Analytics LATAM, esse movimento, aliado ao perfil dos tipos de câncer predominantes, amplia a complexidade dos tratamentos e os impactos financeiros para as empresas, exigindo uma abordagem mais estratégica na gestão de riscos e benefícios.

Na América Latina, câncer de mama, colo do útero e colorretal entre mulheres, e próstata, pulmão e colorretal entre homens estão entre os mais incidentes, exigindo tratamentos prolongados, de alto custo e com impacto direto na sinistralidade dos planos de saúde. 

Sob a ótica dos custos, os medicamentos oncológicos apresentam valores médios que variam entre US$ 50 e quase US$ 600, patamar superior ao observado em países europeus, onde mecanismos de regulação de preços e reembolso contribuem para maior controle e acesso. Brasil e México apresentam custos relativamente mais baixos, entre US$ 50 e US$ 300, mas ainda enfrentam limitações de acesso e disponibilidade, especialmente no setor público.

“O custo do tratamento oncológico na região não está apenas associado à tecnologia, mas também à forma como os sistemas estão estruturados. A ausência de mecanismos mais robustos de regulação e acesso amplia o desafio para empresas e sistemas de saúde”, afirma Leandro Romani, Diretor Médico da Lockton Brasil.

No Brasil, o impacto ganha escala: o país registrou mais de 627 mil novos casos de câncer em 2022, com estimativas superiores a 700 mil em 2023, enquanto a mortalidade já ultrapassa 250 mil óbitos anuais, segundo GLOBOCAN e INCA. 

Esse cenário também se reflete nos custos: desde 2019, os gastos com medicamentos cresceram mais de 180%. Dados da Lockton mostram que os medicamentos oncológicos avançaram 304% em volume e 228% em gastos, passando a representar 18,47% do total farmacêutico.

Na prática, esse movimento posiciona a doença como um dos principais fatores de custo dentro dos planos corporativos. A Pesquisa de Benefícios da Lockton Brasil, em sua 10ª edição, reforça essa tendência ao indicar que, considerando um crescimento médio anual de 12% nos custos de saúde frente a 6% da folha de pagamento, a participação da assistência médica tende a avançar de forma relevante nos próximos anos.

“O que observamos é uma mudança na composição dos custos assistenciais. Doenças de maior complexidade passam a ter maior participação, reduzindo a previsibilidade e exigindo maior estrutura de gestão”, explica Romani.

O impacto também se estende à utilização de serviços de alta complexidade, como internações, terapias prolongadas e medicamentos de alto custo. Esses tratamentos demandam períodos mais longos de cuidado, com reflexos em afastamentos e tempo de recuperação, influenciando a dinâmica das equipes.

Diante desse cenário, o modelo de gestão de benefícios passa a incorporar novas abordagens. O aumento da incidência, a complexidade dos tratamentos e a evolução dos custos ampliam a necessidade de iniciativas voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce, com impacto direto nos desfechos de saúde e na gestão financeira.

“Atualmente, as empresas que avançam nesse contexto são aquelas que estruturam uma gestão integrada de saúde, com foco em prevenção, acompanhamento e uso de dados para a tomada de decisão”, afirma Romani. “Antecipar riscos, nesse cenário, está relacionado à construção de estruturas sustentáveis, capazes de equilibrar o cuidado com as pessoas e a gestão eficiente dos custos”, conclui.

Sobre a Lockton

A Lockton é a maior corretora de seguros independente do mundo. Presente em 125 países, foi fundada por Jack Lockton em Kansas City, Missouri, EUA, em 1966. Chegou ao Brasil em 1994 e possui escritórios em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Recife, Curitiba, Fortaleza e Belo Horizonte. Atualmente, oferece de maneira global soluções de riscos, benefícios e seguros por meio de seus 10 mil colaboradores e administra uma carteira de mais de 65 mil clientes. Premiada pela revista Insurance Business como Melhor Empresa para Trabalhar em Seguros por 13 anos consecutivos, em 2022, a Lockton foi nomeada entre as Empresas com Melhor Gestão pela Deloitte e pelo Wall Street Journal. Recentemente, a Forbes reconheceu a instituição como Melhor Empregador da América, nas categorias Grandes Empresas e Diversidade.


 

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ANA CLAUDIA DA SILVA ROZEMBRÁ
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