O retorno ao prazer: a fisioterapia pélvica como aliada na retomada da vida íntima pós-parto
Muitas mulheres normalizam a dor e o desconforto na primeira relação após o nascimento dos filhos; especialista explica como a reabilitação do assoalho pélvico trata cicatrizes e tensões musculares, devolvendo a confiança à nova mãe.
Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
A chegada de um filho traz uma avalanche de sentimentos, mas, para muitas mulheres, traz também um silêncio desconfortável quando o assunto é intimidade. Um dado que impressiona e que muitas vezes fica guardado entre quatro paredes é que cerca de 45% das mães sentem dor ou desconforto persistente nas relações sexuais após o parto. O problema é que, no meio de tantas demandas do bebê, a mulher acaba colocando o próprio prazer em segundo plano, acreditando que o corpo ficou assim mesmo.
A fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira explica que essa realidade pode e deve ser diferente. Segundo ela, o assoalho pélvico sofre um impacto direto, seja pela pressão da gestação ou pelo esforço do parto, e precisa de ajuda para voltar ao lugar. "Muitas mulheres sentem medo desse primeiro contato por receio da dor ou por não reconhecerem mais o próprio corpo. A reabilitação atua justamente para devolver a elasticidade e a funcionalidade a essa musculatura que ficou tensa ou enfraquecida", pontua.
Na prática, o trabalho vai muito além de exercícios. Envolve tratar as cicatrizes da episiotomia ou da cesariana e liberar pontos de tensão que causam ardência ou aquela sensação de que "está tudo apertado". O foco é o acolhimento. "Não é apenas sobre o ato sexual em si, mas sobre a mulher se sentir confortável e segura na própria pele novamente. A dor é um sinal de que algo precisa de ajuste, não um fardo que ela deve carregar por ser mãe", afirma a especialista.
Além da parte física, existe o fator hormonal da amamentação, que pode deixar a região mais seca e sensível. Flaviana destaca que entender essas mudanças tira um peso enorme das costas da mulher. "Informação é poder. Quando a mulher entende o que está acontecendo com o seu canal vaginal e recebe as ferramentas certas para relaxar essa região, a confiança volta naturalmente", destaca.
A recomendação é que, após a liberação médica do puerpério (por volta dos 45 dias), a mulher procure uma avaliação. Mesmo quem não sente dor aguda pode se beneficiar para prevenir escapes de xixi e garantir que a musculatura esteja saudável. Afinal, a saúde íntima está diretamente ligada à autoestima e à saúde mental dessa mãe que também precisa ser cuidada.
Como reforça a palestrante, o prazer é um direito que não deve ser esquecido na maternidade: "O pós-parto não precisa ser um período de renúncia. Cuidar da pelve é um ato de respeito à história que esse corpo escreveu e um passo essencial para resgatar o bem-estar e a conexão com o parceiro ou parceira", conclui a profissional.
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Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
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