A Gecaps Nutracêuticos - marca do Grupo Bellar Participações e que produz suplementos para marca própria e terceiriza a produção de empresas parceiras - conseguiu um Mandado de Segurança para retomar a fabricação, comercialização e distribuição de produtos em todo o Brasil. Há dois meses a empresa enfrenta limitações apresentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já superadas em inspeções da Vigilância Sanitária Municipal de São José dos Pinhais, cidade na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e onde situa-se a fábrica.
Nesta quarta-feira (13), a juíza federal Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Martins Alves, da 1ª Vara Cível do Distrito Federal (DF), concedeu liminar para suspender o Despacho nº 36/2026 da Anvisa, de 4 de maio deste ano. No documento, determinava-se recolhimento nacional de suplementos em apenas um dia com publicidade da medida em mídia (rádio e TV). Para a magistrada, a agência nacional revela “vício de fundamentação formal (...) silenciando completamente acerca de qual seria o suposto risco sanitário atual e concreto”.
A medida judicial foi necessária para questionar os fundamentos do despacho da Anvisa. No início de fevereiro, a Vigilância Sanitária de São José dos Pinhais realizou fiscalização e interditou temporariamente a produção para a implantação de procedimentos de qualidade e formalização documental interna. A ordem foi efetivada, as melhorias incorporadas à operação e já no dia 23 de fevereiro, em nova inspeção municipal, a fábrica foi liberada para voltar a produzir.
Mas, no dia 25 de fevereiro, a Anvisa publicou a Resolução-RE nº 711/2026 com restrições à fabricação e comercialização, além de determinar o recolhimento de produtos da Gecaps com base na interdição municipal, que não tinha mais validade. A decisão foi divulgada nacionalmente e reproduzida pela imprensa. A empresa recorreu administrativamente e conseguiu um efeito suspensivo. Porém, em 4 de maio, um novo despacho retomou os efeitos da medida anteriormente suspensa com restrições de comercialização, mas sem fatos novos, sem nova inspeção, sem o descumprimento de exigências sanitárias ou de qualquer fundamento técnico.
“A Gecaps reforça seu compromisso de qualidade industrial ao adotar padrões rigorosos em cada etapa de produção para ofertar aos consumidores suplementos seguros. Nós reconhecemos a importância da fiscalização da Vigilância Sanitária e da Anvisa e estamos à disposição das autoridades. Mas enfrentamos uma crise reputacional por questões atendidas e já resolvidas, o que gerou prejuízo à empresa, às marcas parceiras que trabalham conosco, aos consumidores e às pessoas envolvidas nas atividades fabris, como funcionários e fornecedores”, comentou o fundador e CEO da Gecaps Latam, Gerson Bellar.
A história da Gecaps
A Gecaps atua no mercado de cosméticos e suplementos desde 2022 na região de Curitiba a partir do espírito empreendedor de Gerson Bellar. Inicialmente, ele comercializava complemento vitamínico. As vendas baseadas no comércio on-line, em plataformas de vendas e com uma sólida cadeia de distribuição, escalaram rapidamente.
A marca começou a diversificar a produção para outros suplementos em cápsulas e, em seguida, expandiu a fabricação para o setor cosmético. Outro fator que influenciou o crescimento da empresa foi o comércio B2B ao estabelecer parceria com outras marcas, fabricar suplementos e cosméticos e embalar os produtos com a embalagem destas empresas. Atualmente, a Gecaps emprega direta e indiretamente em torno de 200 pessoas e iniciou a estruturação internacional, com foco na exportação para países da América Latina como Argentina, Paraguai e Colômbia.
Resumo cronológico – Caso GECAPS / ANVISA
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