Estresse e telas: como a rotina moderna está transformando os hábitos noturnos dos brasileiros

Como a luminosidade das telas e a pressão do dia a dia estão afetando o sono dos brasileiros e o que pode ser feito para reverter essa situação

Por ANDRé ELOI
4 Min

Estresse e telas: como a rotina moderna está transformando os hábitos noturnos dos brasileiros
(Créditos: iStock)
 

A vida urbana contemporânea tem trazido um aumento significativo no uso de dispositivos eletrônicos, especialmente smartphones e computadores. Essa realidade, combinada com o estresse diário, está impactando profundamente os hábitos noturnos dos brasileiros. Estudos recentes apontam que 65% da população enfrenta noites mal dormidas, um reflexo direto da interação constante com telas e da pressão do dia a dia.

 

O impacto das telas nos hábitos noturnos dos brasileiros

O uso excessivo de dispositivos eletrônicos, principalmente antes de dormir, tem um efeito prejudicial sobre a qualidade do sono. A luz azul emitida por esses aparelhos inibe a produção de melatonina, o hormônio responsável por regular o ciclo do sono. Como resultado, muitas pessoas têm dificuldade em adormecer e manter um sono reparador.

Além disso, a rotina estressante das grandes cidades contribui para a ansiedade e a insônia. A privação de sono não é apenas uma questão de cansaço; ela pode desencadear uma série de problemas de saúde.

Segundo a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), ficar menos de 6 horas dormindo é comparável a deixar o sistema imunológico vulnerável, aumentando em três vezes o risco de contrair infecções. Isso ocorre porque as células NK (do inglês Natural Killer, células assassinas naturais), que combatem infecções, caem drasticamente em número, abrindo portas para doenças.

 

O que é higiene do sono e como ela ajuda a combater o estresse?

 

A higiene do sono refere-se a um conjunto de práticas que visam melhorar a qualidade do descanso. Criar um ambiente propício para dormir é fundamental. Aqui estão algumas dicas práticas:

— Ambiente escuro e silencioso: use cortinas blackout e minimize ruídos para criar um espaço tranquilo.

— Desconectar-se das telas: evite o uso de dispositivos eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir. Em vez disso, opte por atividades relaxantes, como ler um livro ou meditar.

— Estabelecer uma rotina: tente dormir e acordar no mesmo horário todos os dias para regular seu relógio biológico.

Essas práticas ajudam a preparar o corpo para o descanso, reduzindo os níveis de estresse e melhorando a qualidade do sono.

 

Da mudança de rotina à melatonina

A relação entre estresse, uso de telas e qualidade do sono é complexa. A privação de sono não apenas afeta a saúde mental, mas também está ligada a problemas físicos. Pessoas que acumulam noites em claro enfrentam sonolência diurna, memória prejudicada e alterações de humor.

Além disso, pesquisas indicam que idosos que dormem menos de 6 horas têm 30% mais chances de desenvolver demência, conforme apontado pela revista Nature Communications.

Para tentar reverter os impactos das noites em claro, muitos brasileiros têm recorrido a hábitos mais saudáveis antes de deitar e, em alguns casos, à suplementação de substâncias reguladoras do sono, como a melatonina, para ajudar a sinalizar ao corpo que é hora de descansar. Especialistas recomendam que qualquer suplementação seja feita com orientação médica, considerando as necessidades individuais de cada pessoa. Essa abordagem, quando bem orientada, pode ser um complemento eficaz às mudanças de estilo de vida, promovendo um sono mais reparador.

A transformação dos hábitos noturnos dos brasileiros, influenciada pelo estresse e pelo uso excessivo de telas, é um desafio que requer atenção. Implementar práticas de higiene do sono e buscar alternativas saudáveis pode fazer toda a diferença na qualidade do descanso. Ao priorizar o sono, não apenas melhoramos a saúde física e mental, mas também elevamos nossa qualidade de vida em um mundo cada vez mais acelerado.


 

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ANDRE LUCIO ELOI DE SOUZA FILHO
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