Perfeccionismo e pressão por alta performance ampliam desgaste emocional no trabalho, indicam estudos

Raul Zanon, especialista em gestão de emoções, afirma que empresas começam a perceber os impactos da autocobrança excessiva sobre produtividade, engajamento e saúde emocional.

Por HABLA FM
6 Min

Perfeccionismo e pressão por alta performance ampliam desgaste emocional no trabalho, indicam estudos
Na imagem Raul Zanon
A pressão para estar sempre evoluindo deixou de ser apenas uma característica da rotina corporativa e passou a afetar também a forma como muitas pessoas enxergam a própria vida.
Produzir mais, desenvolver novas habilidades, manter equilíbrio emocional, ter propósito, cuidar da saúde mental e sustentar alta performance continuamente. Para especialistas em comportamento humano, o acúmulo dessas exigências vem ampliando níveis de autocobrança, esgotamento emocional e sensação permanente de insuficiência entre profissionais de diferentes áreas.
Segundo Raul Zanon, psicólogo, especialista em gestão de emoções, mestre em Administração e sócio-fundador da Nortez Desenvolvimento Humano, o problema não está na busca por crescimento, mas na transformação do desenvolvimento pessoal em uma cobrança constante.

“Muitas pessoas deixaram de enxergar desenvolvimento como construção e passaram a viver isso como validação permanente. A lógica vira: preciso melhorar o tempo inteiro para sentir que estou fazendo o suficiente”, afirma.

Perfeccionismo e burnout aparecem ligados em pesquisas científicas

A relação entre autocobrança excessiva e esgotamento profissional vem sendo discutida há anos por pesquisadores internacionais.
Uma revisão científica publicada na Journal of Psychiatric Research analisou dezenas de estudos longitudinais sobre personalidade e burnout e identificou que traços ligados ao perfeccionismo estão consistentemente associados ao aumento do esgotamento emocional. 
Outra revisão sistemática publicada pela revista BMC Psychology apontou que determinados traços de personalidade e padrões de cobrança interna possuem relação direta com maior risco de burnout, absenteísmo e redução de bem-estar no trabalho. 
Para Raul, esse cenário ajuda a explicar por que muitos profissionais continuam emocionalmente desgastados mesmo quando mantêm bons resultados.“Existe uma geração inteira funcionando com a sensação de que nunca pode relaxar. A pessoa entrega, bate meta, assume responsabilidade, mas continua sentindo que deveria estar fazendo mais”, diz.

Ambientes emocionalmente seguros reduzem desgaste

Ao mesmo tempo em que pesquisas associam perfeccionismo e burnout, estudos recentes também mostram que ambientes de trabalho mais seguros emocionalmente tendem a reduzir desgaste e melhorar adaptação das equipes.
Pesquisadores da Harvard Business School identificaram que segurança psicológica e sensação de ser ouvido dentro das organizações possuem relação significativa com menores níveis de burnout e maior capacidade de adaptação em cenários de pressão e incerteza. 
Outro artigo publicado pela Harvard Business Review reforça que segurança psicológica não significa ausência de cobrança, mas ambientes em que pessoas conseguem falar, errar, aprender e contribuir sem medo constante de punição ou exposição. 
“A longo prazo, performance sustentável depende de segurança emocional. Pessoas que vivem em estado contínuo de autocobrança tendem a perder clareza, energia e capacidade de sustentação”, afirma Raul.

Cresce a busca por modelos mais sustentáveis de desenvolvimento humano

Na avaliação da Nortez, empresas e profissionais começam a demonstrar sinais de fadiga em relação a modelos extremos de produtividade e desenvolvimento pessoal.
Em vez de rotinas rígidas e metas constantes de otimização individual, cresce o interesse por hábitos mais simples, continuidade saudável e equilíbrio entre resultado e saúde emocional.
“O conceito de vida ‘suficientemente boa’ começa a ganhar espaço justamente porque muitas pessoas estão cansadas de transformar toda experiência em performance”, explica Raul.
A percepção também aparece em debates recentes sobre saúde mental no trabalho. Em fóruns profissionais e discussões sobre liderança, gestores relatam dificuldade de identificar desgaste em equipes altamente produtivas, justamente porque muitos sinais de burnout permanecem invisíveis nos indicadores tradicionais de performance. 

Saúde emocional deve ganhar ainda mais espaço nas empresas

Especialistas avaliam que temas como segurança psicológica, burnout, saúde emocional e sustentabilidade da performance tendem a ocupar espaço crescente dentro das organizações nos próximos anos, não somente pela NR1, mas pela necessidade. Para Raul Zanon, empresas que continuarem associando valor exclusivamente à performance contínua podem enfrentar aumento de desgaste, perda de engajamento e dificuldade de retenção de talentos. “O desafio das empresas não é apenas aumentar produtividade. É conseguir sustentar resultado sem transformar pessoas em máquinas de desempenho permanente”, afirma.

Baseada em Curitiba, a Nortez Desenvolvimento Humano atua com projetos de cultura organizacional, liderança estratégica, remuneração estratégica, treinamentos corporativos e desenvolvimento humano para empresas em todo o Brasil.

Raul Zanon é psicólogo, especialista em gestão de emoções, Mestre em Administração e sócio-fundador da Nortez Desenvolvimento Humano, consultoria especializada em cultura organizacional, liderança estratégica, treinamentos corporativos, planos de cargos e salários, pesquisa salarial e palestras de alto impacto. Baseada em Curitiba, a Nortez atende empresas em todo o Brasil.
nortez.com.br

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ROBERTA FABIANI DA TRINDADE
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