O perigo oculto da prisão de ventre no pós-parto: como proteger o assoalho pélvico de lesões silenciosas.

No mês das mães, a fisioterapeuta pélvica Flaviana Teixeira explica como evitar que o esforço intestinal no pós-parto cause lesões como prolapsos e escapes de urina.

Por Bendita Letra
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Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante

Quem já passou pelo puerpério sabe que as atenções se voltam 100% para o bebê. A mãe, quase sempre, fica em segundo plano. Mas existe um tabu silencioso nesse período que pouca gente tem coragem de conversar abertamente, e que pode cobrar uma conta alta no futuro: a prisão de ventre. No mês das mães, o alerta serve para lembrar que o esforço na hora de ir ao banheiro nos primeiros meses pós-parto é um perigo real para a musculatura íntima.

A verdade é que o corpo da mulher enfrenta uma tempestade perfeita nessa fase. Hormônios instáveis, a desidratação causada pela amamentação e o medo compreensível de sentir dor por causa dos pontos (seja da cesárea ou do parto normal) travam o intestino. O problema é que, para vencer o intestino preso, a mulher acaba fazendo uma força desproporcional.

"Muitas mulheres acham que fazer xixi na calça ou sentir um peso na vagina depois de dar à luz é normal, mas não é. Quando a recém-mãe faz aquela força exagerada para evacuar, ela empurra os órgãos contra uma musculatura que já está exausta e esticada pela gravidez. É esse esforço repetitivo que causa lesões silenciosas", explica Flaviana Teixeira.

Se ninguém avisa, o estrago acontece longe dos olhos. Esse hábito de "fazer força" pode resultar, meses ou anos mais tarde, em escapes de urina ao tossir ou em prolapsos, que as pessoas conhecem como bexiga caída. O gatilho para o problema quase sempre é disparado ali, nas primeiras semanas pós-parto, sem que a mulher perceba.

Para virar esse jogo, a fisioterapeuta pélvica e palestrante explica que a solução não exige rituais complexos, afinal, o tempo de uma mãe é escasso. O segredo está em pequenos ajustes: caprichar na água, usar aquele banquinho para os pés no banheiro (que muda o ângulo do quadril e facilita tudo) e aprender a soltar o ar em vez de travar a respiração ao evacuar.

"Precisamos parar de achar que o sofrimento materno faz parte do pacote e que não se deve falar sobre o funcionamento do intestino. Cuidar dessa região não é luxo, é devolver para essa mulher o direito básico de tossir, rir, correr ou carregar o próprio filho no colo sem medo e sem dor", finaliza Flaviana.

 

Acompanhe o trabalho da Dra. Flaviana Teixeira nas redes sociais: @flavianateixeirafisiopelvica | flavianafisiopelvica.com.br

Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante

 

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