Lipedema: A doença confundida com obesidade que afeta uma em cada dez mulheres

Especialista do INKI explica como o diagnóstico clínico diferenciado e o tratamento multidisciplinar podem reverter a inflamação e a dor crônica nas pernas

Por Agenor Santana
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O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal, desproporcional e simétrico de gordura — principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços — decorrente de alterações no próprio tecido adiposo, e não de excesso alimentar. Essa gordura é dolorosa, sensível ao toque e frequentemente associada a inchaços e hematomas. Um sinal clássico é o fato de os pés permanecerem poupados, criando um desnível evidente entre pernas e pés. Trata-se de uma condição que afeta quase exclusivamente mulheres e pode atingir até 10% delas em algum grau, geralmente surgindo ou se agravando em fases de mudança hormonal, como puberdade, gravidez e menopausa.

A cirurgiã vascular Aline Helena Gonzalez Fares, integrante do time do INKI — plataforma de consultas médicas particulares de excelência — reforça: “O lipedema é uma doença real, com base genética, hormonal e inflamatória. Ele não é obesidade, nem resultado de má alimentação. Exige um olhar técnico para diferenciar o acúmulo de gordura comum de uma patologia vascular e inflamatória.”

Características, causas e impacto na vida das pacientes

A origem do lipedema envolve predisposição genética, alterações hormonais e inflamação crônica do tecido adiposo. Muitas mulheres convivem por anos com dor, sensação de peso, inchaço ao longo do dia, sensibilidade ao toque e dificuldade para caminhar longas distâncias. A frustração por não conseguir reduzir o volume das pernas mesmo com dieta e exercícios é frequente e afeta a autoestima.

“Os sinais mais comuns incluem aumento desproporcional das pernas, acúmulo de gordura em quadris e coxas, pés poupados, hematomas frequentes, dificuldade de emagrecer nas pernas e sensação de peso. Muitas pacientes relatam que emagrecem na parte superior do corpo, mas as pernas permanecem volumosas”, relata a médica.

Como o diagnóstico é realizado

O diagnóstico é essencialmente clínico e deve ser feito por um médico com experiência na doença, especialmente um especialista em medicina vascular. A avaliação inclui história clínica, exame físico e análise da distribuição da gordura. Exames como ultrassom com Doppler podem auxiliar na diferenciação entre lipedema, linfedema e alterações venosas.

A cirurgiã vascular destaca que o diagnóstico precoce é determinante para evitar a progressão da doença. “A avaliação clínica especializada permite diferenciar lipedema de outras doenças ou acúmulo de gordura localizada, garantindo que a paciente receba a orientação correta desde o primeiro contato.”

Tratamento e abordagens eficazes

O tratamento do lipedema é multidisciplinar e individualizado, com foco em reduzir dor, inflamação, inchaço e melhorar a qualidade de vida. Quatro abordagens costumam apresentar bons resultados:

  • Mudanças alimentares anti-inflamatórias
  • Uso de meias de compressão
  • Exercícios físicos adequados
  • Lipoaspiração específica para lipedema, quando indicada

A alimentação anti-inflamatória ajuda a reduzir a inflamação sistêmica; as meias de compressão aliviam o inchaço e a sensação de peso; exercícios de baixo impacto — como caminhada, musculação, pilates, natação e hidroginástica — melhoram a circulação; e a lipoaspiração específica, realizada por equipe experiente, pode reduzir dor, melhorar mobilidade e diminuir o volume das pernas, com recuperação em algumas semanas.

Aline ainda explica que medidas simples e acessíveis também ajudam no controle dos sintomas, como manter atividade física regular, evitar longos períodos sentada ou em pé, elevar as pernas ao final do dia, manter alimentação equilibrada e controlar o peso corporal.

A importância do acompanhamento especializado

A médica reforça: “Quanto mais cedo o lipedema é identificado, maiores são as chances de controlar a doença e preservar a qualidade de vida. O acompanhamento especializado é fundamental para orientar cada etapa do tratamento.”

O lipedema tem tratamento, e o primeiro passo é um diagnóstico assertivo. “Buscar avaliação médica adequada é essencial para recuperar bem-estar e autonomia”, finaliza.


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