Testes de DNA para HPV superam eficácia do Papanicolau no rastreio do câncer de colo de útero

Especialista defende a modernização dos exames preventivos, destacando que a biologia molecular consegue identificar o vírus muito antes das lesões aparecerem.

Por Bendita Letra
3 Min

Testes de DNA para HPV superam eficácia do Papanicolau no rastreio do câncer de colo de útero
Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose
 

Mudar a forma como cuidamos da saúde feminina no Brasil não é apenas uma questão de atualizar aparelhos nos laboratórios, mas de salvar vidas de um jeito muito mais inteligente. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Papilomavírus Humano (HPV) está por trás de mais de 95% dos casos de câncer de colo de útero. O grande nó da questão é que o tradicional Papanicolau, que nos acompanhou por décadas, tem uma taxa de acerto que varia entre 50% e 70%. Por outro lado, os exames modernos de DNA conseguem flagrar o vírus com mais de 90% de eficácia, mostrando que passou da hora de darmos um salto na prevenção.

Quem lida com o dia a dia das consultórios percebe de perto essa necessidade de virada de chave. O ginecologista Michael Zarnowski, que acompanha de perto a realidade das pacientes como especialista em endometriose e saúde integrativa da mulher, defende que a medicina atual tem a obrigação de ser mais ágil que a doença. Para o médico, a tecnologia de biologia molecular veio para mudar o foco do tratamento: em vez de remediar o estrago, o objetivo agora é impedir que ele aconteça.

"O Papanicolau cumpre o papel de buscar alterações que o vírus já causou nas células, ou seja, ele fotografa o estrago. Já a biologia molecular faz o inverso: ela flagra a presença do DNA do vírus muito antes de qualquer lesão sequer ameaçar aparecer", explica o especialista. Na prática, essa antecedência dá uma tranquilidade sem preço para a paciente, permitindo que qualquer ameaça seja neutralizada anos antes de virar um problema real.

Outro ponto que muda completamente a rotina das mulheres é o alívio na frequência de idas ao laboratório. Se no método antigo a recomendação quase sempre envolve uma rotina anual pesada, o teste genético é tão preciso que, quando dá negativo, a mulher só precisa repetir o procedimento dali a cinco anos, sem abrir mão de nenhuma segurança.

"Essa previsibilidade traz um alívio imenso no consultório e otimiza os custos do sistema de saúde. Conseguimos separar com precisão o grupo que realmente precisa de monitoramento constante daquelas mulheres que estão temporariamente livres de risco", pondera Zarnowski. Ele faz questão de lembrar, porém, que o exame de laboratório muda, mas a visita de rotina ao ginecologista continua sendo sagrada para cuidar do restante da saúde.

 

Saiba mais sobre o trabalho do Dr. Michael Zarnowski: @drmichaelzarnowski

Fonte: Dr. Michael Zarnowski — Ginecologista especialista em Endometriose


 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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