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Uma das aplicações mais concretas da inteligência artificial (IA) nas empresas começa a aparecer na gestão da operação. No setor de alimentação coletiva, responsável por refeições servidas em indústrias, hospitais e grandes empresas, o uso de dados, informação estruturada, indicadores e previsões já começa a mudar a forma como cardápios, compras e estoques são planejados. A principal mudança está na previsibilidade. Sistemas que analisam consumo real, histórico de produção, comportamento de demanda e indicadores operacionais ajudam gestores a decidir quanto produzir, quando comprar e como ajustar cardápios de forma mais precisa. Isso causa impacto direto em custos, desperdícios e planejamento da operação. Esse modelo de gestão com dados integrados tem impacto direto em um dos maiores desafios da alimentação corporativa: o desperdício. A falta de integração entre dados de consumo, planejamento e compras ainda faz muitas operações dependerem de estimativas ou controles fragmentados, o que aumenta o risco de sobras e eleva custos. “Quando a operação passa a trabalhar com dados estruturados e indicadores claros, decisões que antes eram baseadas em tentativa e erro passam a ser tomadas com muito mais precisão”, afirma Grasiela Tesser, CEO da NL Tecnologia, empresa especializada em soluções para operações de refeições coletivas. Um exemplo recente mostra o potencial dessa abordagem. Em uma das maiores operações de alimentação corporativa do Brasil, a análise estruturada de desperdícios e dados de produção ajudou a evitar o descarte de mais de duas mil toneladas de alimentos em 2024, o equivalente a cerca de 3,7 milhões de refeições. Além do impacto econômico, iniciativas desse tipo também têm efeito ambiental relevante, já que reduzem o descarte de alimentos e as emissões associadas à produção. A tendência acompanha um movimento observado globalmente no varejo e na gestão de operações, com o uso crescente da inteligência artificial como ferramenta de apoio à decisão no dia a dia das empresas. “Hoje a inteligência artificial começa a assumir um papel mais prático dentro das organizações: ajudar a operação a funcionar melhor”, aponta Grasiela. O que se vê nesse movimento é uma mudança clara no papel da inteligência artificial dentro das empresas, sendo incorporada como ferramenta de gestão para atuar diretamente na operação e na tomada de decisões. A tendência é que esse uso se amplie nos próximos anos, especialmente em áreas onde pequenas ineficiências geram grandes perdas. Nesse cenário, aplicar IA de forma prática, conectada aos processos e orientada a resultado deixa de ser diferencial e passa a ser condição para operar com eficiência, controle de custos e competitividade.
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ALANA GABRIELA PAULS HAEUSER
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