Produção de Scotch Whisky: conheça a diferença entre o envelhecimento em duas e quatro etapas

Da transformação do destilado na madeira às técnicas avançadas de maturação, como o método de envelhecimento define a complexidade e a suavidade do Scotch whisky?

Por MALU SCHIERI
4 Min

Produção de Scotch Whisky: conheça a diferença entre o envelhecimento em duas e quatro etapas
Produção de Scotch Whisky: conheça a diferença entre o envelhecimento em duas e quatro etapas

São Paulo, maio de 2026 – Em maio comemora-se o mês do whisky, um destilado complexo e cheio de tradição. O envelhecimento (ou maturação) de um whisky é o processo onde o destilado sem sabor, conhecido como "new make spirit", interage quimicamente com a madeira do barril. É por meio dessa troca que a bebida adquire cor, aromas, suavidade e complexidade. Ao sair do alambique, o destilado é transparente e ríspido, tornando-se whisky apenas após anos de descanso na madeira.

Na indústria, diferentes marcas e tradições estabelecem seus diferenciais precisamente nessa etapa. Essas assinaturas exclusivas podem ser determinadas pelo tipo de grão utilizado no blend, pela escolha do barril ou pelos processos de destilação e filtragem. No segmento de Scotch whiskies, a destilaria Dewar’s se destaca por aplicar processos de maturação especializados em seu portfólio, utilizando o envelhecimento em múltiplas etapas como seu principal diferencial.

O envelhecimento em duas etapas

Segundo explica a Master Blender, Stephanie Macleod, esta técnica visa o aprimoramento do conjunto após a mistura inicial.

Os whiskies passam pelo período inicial de envelhecimento e, na sequência, são misturados (blended). Após essa combinação, o líquido não vai direto para a garrafa, como tradicionalmente acontece: ele é devolvido à barris de carvalho para passar por uma maturação adicional. Esse segundo estágio na madeira é realizado com o propósito específico de alcançar uma integração mais profunda entre os whiskies que compõem o lote.

O envelhecimento em quatro etapas

Considerado um processo pioneiro e o primeiro de seu tipo na indústria do whisky, este método é restrito à linha de alto padrão da destilaria, a Double Double Collection (que engloba whiskies Dewar’s com 21, 27, 32 anos e acima).

O sistema também foi desenvolvido por Stephanie Macleod e funciona de forma segmentada em quatro fases distintas:

  1. As fases iniciais: Os whiskies de malte (single malts) e os whiskies de grãos são envelhecidos separadamente em seus respectivos barris.
  2. Mistura por tipo: Os whiskies são retirados e misturados estritamente por categoria (maltes com maltes, grãos com grãos) e retornam ao barril para uma nova etapa de maturação.
  3. Unificação do Blended Scotch: Os dois grupos são finalmente combinados, gerando o Blended Scotch, que é colocado novamente em repouso.
  4. Finalização expressiva: O lote passa por um acabamento final em barris cuidadosamente selecionados, utilizando madeiras que antes armazenavam vinhos Oloroso, Pedro Ximénez ou Madeira.

Conforme destaca a especialista, a finalidade dessa engenharia de quatro etapas é criar um produto final com níveis excepcionais de integração, equilíbrio e complexidade de sabores.

A construção do legado de blending

O desenvolvimento dessas técnicas acompanha a expansão histórica da marca. John Alexander Dewar, filho do fundador John Dewar, absorveu a arte de misturar whiskies diretamente com o pai. Atualmente, a responsabilidade técnica está com Stephanie Macleod, que assumiu como sétima Master Blender da marca em 2006. Eleita seis vezes a Melhor Master Blender do Mundo, ela supervisiona desde os whiskies com duplo envelhecimento até edições limitadas focadas em novas finalizações de barris e técnicas de maturação.


 

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MARIA LUIZA SCHIERI DAMAS ANTONIO
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